23 de jan de 2009

O perigo do “será?”


Na semana passada, meu professor resolveu fazer uma aula minha. Já fazia um tempo que eu queria que isso acontecesse, pois um feedback de alguém mais experiente é sempre bom. Já faz um tempo que dou aulas na sua escola, mas ainda não havia aparecido essa oportunidade. Enfim, apareceu. E eu me senti mais nervosa do que quando dei minhas primeiras aulas de yoga. Mais nervosa que quando comecei a dar aulas lá no Yoga Dham (a escola do meu professor, onde pratico, dou aulas e faço formação de Iyengar yoga). Mais nervosa que nunca. Sempre começamos as aulas cantando o mantra para Patanjali. A minha impressão era que a voz não ia sair. Saiu, mas meio tremidinha...

Sempre tive uma dificuldade em me sentir avaliada. Parece que o medo de errar é tão grande, que a coisa não flui. Foi assim durante muito tempo com o teatro. Ouvi isso de muitos professores e diretores. Mas confesso que desde que resolvi trocar o teatro pelo Yoga, ainda não havia sentido a mesma coisa. Até chegar o bendito dia!!!

O tempo todo estive preocupada, pensando "no que será que ele estava pensando", "será que isso está certo", "será que eu devia ter falado assim, ou feito assado". E claro que assim, a aula não fluiu como deveria ter fluido. A única coisa que ouvi dele foi: " Sei que se eu não estivesse aqui, a aula teria saído menos da cabeça, e mais do coração". E ele disse tudo, porque foi exatamente isso que eu senti também. Foi a melhor coisa que eu ouvi. Primeiro, porque me fez perceber que apesar de eu me sentir muito mais feliz dando aula de yoga, o perigo de querer fazer o certo permanece. O perigo do "Será?". E depois disso, minhas aulas fluíram lindamente!!! Em todas as outras aulas que dei durante aquela semana, foi como se conscientemente eu desligasse o botãozinho da cabeça e funcionasse só a partir do coração. Saí feliz, sentindo que a aula tinha funcionado muito bem, vendo aqueles sorrisos e aquela cara de satisfação nos alunos que fazem a gente entender porque está lá, porque escolhemos essa profissão.

Ontem contei essa experiência para o meu professor e ele disse: "esse será é um perigo!". Então, acrescentei mais uma palavrinha à minha lista de palavras proibidas. E foi isso que me inspirou a escrever esse texto, e sugerir a todos, em qualquer profissão ou qualquer aspecto da vida, deixem um pouco o "será" de lado e experimentem deixar a coisa fluir sem medo. Com certeza você não se arrependerá!


Namaste!!

4 comentários:

coisas de frozina disse...

Inspirador, Mari! Esse tema do "será" me pega muito e já senti também a diferença de deixar o coração reger minhas ações no lugar da cabeça... Não acho isso muito fácil, mas é libertador.
Adorei o texto! Beijos

Anônimo disse...

Nossa, Mari!!!!!Seu texto me emocionou, me tocou...
É a pura verdade!!!!Como nos amarramos ao fato de ter que fazer o certo, mostrar que sabemos sobre algo. Procuro, sempre que posso, me guiar pelo coração, e com certeza, é sempre o melhor caminho.
Muito bom!!!!
Becitos!
Fabi

Fernanda R. Lima disse...

Oi Mari!

Adorei o texto, é importante deixar a mente pensante de lado, e seguir o coração e a alma seja no trabalho ou em qualquer situação. Namaste!

Bj

Mariana Akamine disse...

Que bom que gostaram do texto!!!Que ele sirva então como um incentivo para usarmos sempre o coração!

Namaste!!