19 de mai de 2009

Pazes com a perfeição

Sempre tive uma relação bem típica com a perfeição. Desde que me lembro, sempre fiz questão de fazer tudo perfeito. Não há nenhum virgem forte no meu mapa astral (imagina se houvesse!), mas tudo que eu fiz sempre teve que ser impecável. E isso faz a gente sofrer, porque sabemos que ninguem é perfeito. Mas, na prática, o buraco é sempre mais embaixo.

Aí entramos novamente em um tema que já foi falado aqui, sobre a importância da opinião alheia. Porque afinal de contas, queremos ser perfeitos pra quem? Pra nós mesmos? Pode ser... Mas o que faz a gente acreditar que o que fizemos foi perfeito? A nossa intuição? A nossa sensação? Ou o que dizem os outros? Pois é...Só acreditamos que realmente o que fazemos é bom, quando ouvimos isso de outra pessoa. É a boa e velha necessidade de reconhecimento. É o ego sendo alimentado. Só para isso queremos ser perfeitos.

Nesse fim de semana passei por uma experiência interessante sobre esse tema. Neste semestre, no curso de formação que faço, tivemos que escolher um tema dentro de uma lista e preparar uma palestra de 5 minutos sobre ele. Depois da palestra, vários temas são avaliados, como presença, dicção, conteúdo, domínio do tempo,etc. Domingo passado foi a minha vez de apresentar, e na hora do feed back (feito pelos professores e pelos colegas), fui extremamente elogiada. Segundo muitos deles, estava tudo perfeito. Claro que fiquei muito feliz ouvindo tudo aquilo, meu ego estava contentíssimo. E o melhor é que eu nem tinha me esforçado muito pra isso. Na hora de falar sobre o que poderia ser melhorado, ninguem falou nada. Alguns segundos ou minutos de silêncio, que para mim pareceram uma eternidade. Olhava nos olhos de cada um dos meus companheiros de aula, pedindo que dissessem algo, e o silêncio permanecia. Comecei a procurar os olhares com quem tinha um pouco mais de intimidade, e nada. Fui então aos mais críticos, como meu professor, e ainda assim continuou o silêncio, no máximo vinha alguma hora um outro elogio, mas a sensação de "ego contente" foi se desvanescendo e comecei a me sentir totalmente desamparada. Eu precisava da crítica. Eu precisava ter algo para melhorar. Todo mundo tem, ninguém é perfeito! De repente, uma aluna resolveu falar. Ufa! Foi ótimo ouvi-la. E falou exatamente o que eu deveria buscar por já ter uma facilidade de falar em público. Foi ótimo, e estimulou meu professor a falar mais. Pronto. Já não estava mais desamparada. Eu realmente não era perfeita. Que sensação deliciosa!

Cheguei em casa refletindo muito sobre isso, e pensando como somos todos tolos, nós perfeccionistas. Porque quando alguém diz que o que fizemos é perfeito, isso pode até nos enaltecer por uns minutos, mas a verdade é que sabemos que não é real. Que estamos nesse mundo para aprender através dos nossos erros, e então se não tivermos nada para melhorar, a vida deixa de fazer sentido. Estamos em constante aprendizado, em constante transformação, em constantes erros e acertos. Essa é a graça da vida, e no final da história, a unica coisa que vale a pena é vivermos cada minuto como uma experiência nova.

Namaste!

3 comentários:

Tita disse...

Nossa! Foi ótimo ler sua história! Eu já senti isso...
Sou assim tb, e já percebi como é sem graça por exemplo quando eu mostro uma ilustração pra um amigo, e não recebo nenhuma crítica...bate um desespero, pois no fundo eu sei que posso melhorar alguma coisa! E sem o desafio, qual o sentido? Mas tb é preciso saber "finalizar". Dizer, agora está "perfeito"!!! O MEU perfeito...pois alcancei o meu objetivo naquilo, naquele momento, e se eu me influenciar a toda crítica alheia, nunca ficarei satisfeita! ;)

Mariana Akamine disse...

Assino embaixo!

bjos!!

Fernanda R. Lima disse...

É muito importante saber ouvir uma crítica construtiva...e deixar o ego de lado...

Ótimo post Mari!!

BjOM!!