27 de set de 2010

Tempo




Ultimamente tenho pensado muito na minha relação com o tempo. Estou numa fase de muitas mudanças na minha vida, em todos os aspectos: profissional, afetivo, mudança de casa... Tudo isso tem me exigido, e muitas vezes me peguei pensando em porque não inventaram um dia com 36 horas! E tem me feito pensar muito nessa coisa tão abstrata chamada tempo. Abstrata e concreta. Porque de fato o tempo passa. E o relógio existe. Mas não há nada mais relativo.

Quando fiz o retiro de meditação Vipassana, no inicio de 2009, uma das minhas maiores observações foi exatamente sobre esse tema: Como era possível fazer tanta coisa em meia hora! O tempo lá simplesmente rendia. Ok, é claro que estávamos num retiro onde o único foco era a meditação, nós em contato conosco, sem trabalho, obrigações, serviços de casa... Mas havia algo além da falta de obrigações, algo muito mais sutil e fundamental: a presença. Lá, estávamos quase todo o tempo presentes. Na hora de comer, comíamos. Na hora de tomar banho, sentíamos cada momento. Na hora de dormir, era só dormir, sem pensar em mais nada. Assim, meia hora de almoço se tornava uma eternidade. Nós temos o hábito de comer conversando, trabalhando, ou pelo menos pensando nas idéias, nos projetos, nas dúvidas, nos medos... Quantas vezes nós simplesmente comemos? Pois lá, no retiro, eu sentia cada sabor do que eu comia. E mastigava cada grão, com prazer e consciência. E quando percebia, não havia passado nem 15 minutos.

Sempre digo e acredito que o grande desafio, e o que eu escolhi pra mim, é praticar yoga em um grande centro urbano como São Paulo, com todos os obstáculos que não só a cidade, mas as pessoas que estão nela nos colocam. Sem dúvida em um retiro de 10 dias no meio do mato a relação com o tempo fica mais fácil. Se você se permite, porque se a cabeça insistir em ficar nos padrões da cidade esses 10 dias podem virar uma verdadeira tortura. Mas porque não tentar fazer o contrário? Porque não tentar ficar um pouquinho mais presente e fazer uma coisa de cada vez, tornando assim a vida doida da cidade um pouco mais sana, e quem sabe, podendo alargar um pouquinho o nosso dia? Difícil? Nem me fale! Mas é um belo projeto de vida!

Namaste!

9 comentários:

Tess Abreu disse...

é verdade, a gente vivencia pouco os momentos. agora mesmo, enquanto eu lia, a tv estava ligada e confesso que dividi minha atenção entre o texto e a tv. parei, voltei e li de novo. mas nem sempre temos a possibilidade de voltar atrás nas experiências da vida...

Fabiana disse...

Ah, Marineide, e vale não só para os grandes centros. Já sinto isso aqui em Ribeirão, que há muito deixou de ser a cidade idílica da minha infância. Acho que é uma sensação geral, que envolve também essa obrigação de viver tudo o tempo todo, do contrário estou "perdendo a vida", "ficando para trás"... Achei esse texto muito inspirado e fico até meio assustada com a nossa conexão à distância, porque hoje, antes de entrar no seu blog, estava exatamente pensando comigo o que eu ia fazer depois, e depois e depois pra dar TEMPO de cumprir tudo perfeitamente e eu dormir tranquila no final. E pensei: "Opa! e ficar presente no momento presente que é bom, necas..."
Saudade!!
Beijos

Gustavo Cunha disse...

Oi Mariana, namaste

Dê uma olhada num post sobre tempo no blog do Glauco:

http://glaucotavares.blogspot.com/

Espero que gostes.


Sarva mangalam,
Gus

--
www.yogavaidika.com - essência da sabedoria védica

Mariana Akamine Bergamasco disse...

Tess e Fabi,

Vamos aprendendo com a nossa experiencia e as nossa ttroca de experiencias, né?

Gustavo,

Obrigada pelo link, vou entrar lá pra ver.

Caroline Rodrigues disse...

Mariana,
mas eu acredito que o maior e grande desafio desta vida é conciliar os ensinamentos da yoga com a vida que levamos. Não dá para simplesmente deixar de lado tudo que somos e construímos até hoje em nossa sociedade e em nossa vida contemporânea! A grande sabedoria, ao meu ver, é aprender a viver com pouco (assim precisamos trabalhar menos e ganhar menos), focado em si e no que se é verdadeiramente (sem grandes preocupações com a estética massificante, comendo e dormindo bem, vivendo com amor e afeto por si próprio), com criatividade e humildade (sem passar por cima dos outros, respeitando tudo que existe e da forma que existe, sabendo dizer não para o que te faz mal de maneira a não fazer mal a outrem). É fácil? E quem disse que o cara lá de cima ia aliviar?! rs.
Namastê!

Mariana Akamine Bergamasco disse...

Lindo comentário, Caroline! Obrigada!!!

Cecilia e Helena disse...

Post bacana! Eu estava precisando ouvir isso!
Helena

lacquinha disse...

Oi turminha,fico encantada com essa forma de comunicar,através de blog,como é bom!!!!.
Lendo a postagem do "TEMPO" vejo que é natural,comum a nós todos o embate,se viemos com tempo para realizarmos nossas tarefas!pq ñ saber bem usá-lo?!E a prática da yoga tem me ajudado.E COMO FALA BEM CAROLINE:",A grande sabedoria, ao meu ver, é aprender a viver com pouco (assim precisamos trabalhar menos e ganhar menos), focado em si e no que se é verdadeiramente (sem grandes preocupações com a estética massificante, comendo e dormindo bem, vivendo com amor e afeto por si próprio), com criatividade e humildade (sem passar por cima dos outros, respeitando tudo que existe e da forma que existe, sabendo dizer não para o que te faz mal de maneira a não fazer mal a outrem). É fácil? E quem disse que o cara lá de cima ia aliviar?! rs.
Concordo e sigo!,bjão*)
Namastê!^.^

Mariana Akamine Bergamasco disse...

Estou adorando ver esses ótimos comentários nesse post! Pelo visto o tema inspirou muita gente, e fico feliz com isso!!
Obrigada, Lacquinha!
Namaste!