Esse texto estava no blog "hoje que tal?", do meu amigo e aluno Roberto Mellão. Gostei tanto que pedi autorização para colocá-lo aqui, pois é sempre interessante a gente compartilhar essas experiências. Acabei de reler o texto e me veio uma frase simples e importantíssima, que muita gente desconhece: Yoga é para todos!!!! Desfrutem:
Muitos que lerem esse post, principalmente homens, pelo menos eu pensava assim, pensarão: "Yoga é coisa de mulher". Mas após fazer algumas aulas, percebi o quão difícil é, e quanta persistência é preciso, para conseguir ficar em determinadas posições. E para quem pensa que é só um mero alongamento, está muito enganado; trabalha com todos os músculos do corpo, concentração, postura e equilíbrio.
Imaginem: um homem durão fazendo sua primeira aula de Yoga, ele começa a meditar no inicio da aula um mantra que a principio é engraçado, todos na aula estão muito concentrados. Logo em seguida começam as posições, a primeira mais simples de equilíbrio, ele já não consegue, a pessoa ao seu lado faz com tamanha facilidade que ele fica espantado. No meio da aula, ele percebe que está mais suado que o restante da sala, estranho, pensa. Na posição seguinte tenta olhar para o rosto dos colegas de sala e percebe que todos passam um semblante de paz, enquanto ele, de extremo esforço. A aula acaba, ele quase morto e todos leves e tranqüilos. Reflete com ele mesmo; "Isso não é possível, voltarei nas próximas aulas, essas pessoas não são normais, como elas conseguem?" E é o que acontece, passa um mês, dois meses, ele está mais tranqüilo, sua postura melhorou, percebe até que ganhou uns músculos, no meio das posturas olha para o lado e até sorri para os colegas.
Essa história foi apenas para ilustrar a experiência de alguém com essa prática milenar que rompeu suas próprias barreiras. Agora, se você anda estressado, irritado, arrume um tempinho, não precisa ser Yoga, faça um exercício, atividades de lazer, cuide do seu corpo e da sua mente, você merece.
Ps. Esse não é um blog de alto ajuda, mas vale a dica!
Roberto Mellão
17 de ago. de 2009
10 de ago. de 2009
Conhecer o desconhecido
"Abandone seu apego ao conhecido, penetre no desconhecido e vivencie toda a alegria, mistério e magia do que pode acontecer no campo de todas as possibilidades."
Deepak Chopra - " As sete leis espirituais do sucesso"
A prática de ásanas é um bom caminho para penetrar no desconhecido. Os ásanas fazem com que nossa atenção fique no presente, e torna possivel a observação de sensações até então desconhecidas. Desde uma postura mais simples até em algo mais complexo isso é possivel. E quando não fugimos dessas sensação, mas sim reconhecemos, observamos e aceitamos, muitas possibilidades se abrem. Durante a prática de ásanas não só o corpo fisico é trabalhado, mas também camadas energéticas muito profundas, que trazem à tona sensações muitas vezes boas, outras nem tanto, geradas através das marcas e impressões inconscientes, fixadas em nosso corpo há muito tempo. Essas impressões são chamadas samskaras. Por isso muitas vezes um asana que é simples para alguns pode ser bem complexo para outros, independente de força ou flexibilidade. A sugestão é: sempre respeitando (mas evoluindo com) os limites do seu corpo, esteja aberto ao desconhecido. Experimente, arrisque-se! É disso que se trata o yoga: ultrapassar os bloqueios da mente, nesse caso, através do seu corpo.
Namaste!
7 de ago. de 2009
Os curiosos efeitos do yoga
Por Fabiana Acosta AntunesVirabhadrasana II ou Postura do Guerreiro II
Esta postura nunca foi das minhas "mais queridas" e sempre que praticava permanecia nela durante dez respirações torcendo pra acabar logo e quando acabava (ufa!) dava graças a deus e me sentia cumprindo uma obrigação. A prática regular mudou alguma coisa além do natural fortalecimento das pernas: não sei o que houve, agora sinto necessidade de ficar e ficar e ficar nesta postura... Não se trata de "condicionamento físico", em que naturalmente o corpo responde de outro jeito e aquilo se torna menos difícil para ele... Tampouco posso dizer que o desconforto se transformou em conforto... É algo mais parecido com necessidade. O corpo precisa ficar ali, naquela postura, então ele simplesmente fica, sem lamentações...
2 de jun. de 2009
Pessoas aflitas
"As aflições são um determinado padrão de perturbação da consciência humana, tão universais e presentes quanto mosquinhas em maçãs frescas."
Não resisti em colocar essa frase do Iyengar, a forma como ele começa seu capítulo sobre os Klesas (aflições) no livro "Luz na vida". Porque , para começar a falar sobre esse tema, queria primeiro desmistificá-lo. Sim, todos passamos por isso, constantemente. E isso não é um defeito, mas um padrão natural. Agora, vamos ao assunto:
Os Klesas são as aflições da mente humana, que manifestamos através pensamentos, reações ou padrões de comportamento. Estão presentes de diversas formas, em menor ou maior proporção, no decorrer de nossa vida, e são grandes obstáculos pois nos fazem agir de maneira repetitiva e egóica e, claramente, nos levam ao sofrimento. São eles: avidya (ignorância), asmita (orgulho), raga (apego), dvesa(aversão) e abhinivesa (medo da morte).
O primeiro, Avidya, é o precursor de todos os outros. Ignorância no sentido de ignorar a verdade, ou ignorar o que é permanente e o que é efêmero. Por conta da ignorância, sentimos orgulho de tudo que é nosso. MEU. Minha ideia, minha maneira de pensar, meus filhos, meus amigos, meus bens materiais... EU sou assim, eu tenho essa maneira de agir... É o segundo klesa, asmita. A tradução para asmita é "identidade do eu". Porém, esse eu, na verdade, é o ego, e não e nosso eu mais profundo, A Ignorância nos faz confundir os dois e dar para o eu egóico uma importância extrema, uma maneira de nos protegermos do resto do mundo. "Eu sou mais eu", ou eu sou mais bonito, mais inteligente, mais (!!!) evoluído espiritualmente...
E com esse grande apego à nossa pessoa, chegamos ao terceiro klesa, Raga, que podemos chamar de apego, ou desejo. Minha ideia inicial era escrever somente sobre essa aflição, então vou me focar nela por mais tempo. Nos apegamos a tudo que o nosso orgulho e a nossa ignorância afirmam ser nosso: carros, roupas, livros, marido, namorado, amigos, familia... E isso significa que temos um grande medo de perdê-los. Nos apegamos também a ideias e sensações. Por ideais e em busca de sensações de poder, ou por medo de perdê-los, aconteceram tantas guerras no mundo. Acontecem tantas guerras todos os dias, dentro de nós. Por apego à quem somos, ou o que acreditamos ser. Se tivessemos realmente claro em nossa mente que tudo é efêmero, não teríamos tanto medo de perder entes queridos, por exemplo, pois saberíamos que a única coisa que não morre é a alma. Mas o apego está presente em situações muito mais cotidianas. Para os praticantes de hatha yoga, por exemplo, podemos nos apegar à uma sensação boa que conquistamos durante um ásana. "Hoje eu vou fazer um sirshasana incrível como o da semana passada. Foi delicioso, fiquei imóvel por cinco minutos, e era capaz de sentir cada pedaço de pele, totalmente presente". Pronto, é o apego falando mais alto. Você não está presente, e seguramente o ásana hoje não será o mesmo. Bem, a verdade é que nunca é. O problema é que o apego por experiências passadas gera frustrações e sofrimento. Eu mesma, quando escrevi há uns meses sobre a iluminação, assumi que sou completamente apegada a determinadas sensações.
O quarto klesa é um irmão bem próximo do apego, mas com características opostas: é a aversão, ou dvesa. Raga diz: "Eu quero isso, eu não quero perder aquilo". Dvesa diz: "Mantenha isso bem longe de mim!!" "Não quero sentir isso, não quero ter que passar por essa situação, detesto esse lugar, odeio aquela pessoa!!!" Mas uma vez, é a ignorância falando mais alto. Afinal, se somos todos a mesma essência, não deveríamos odiar um ao outro. Se sabemos que o ego é algo superficial, porque ficar tão ofendido com uma ideia oposta à nossa?Se sabemos que estamos em constante transformação e aprendizado, porque ter aversão à sentimentos como rejeição, solidão, derrota? Somente a aversão ao sentimento de rejeição já daria tema pra um texto inteiro, e já falei sobre isso algumas vezes por aqui.
Por fim, ó quinto e último klesa é abhinivesa, ou medo da morte. Da mesma forma que a ignorância é a mãe de todos os klesas, o medo da morte é o filho caçula, que foi criado a partir de todos os outros. Nossa identificação com o nosso ego, nosso apego à ele e nossa aversão ao desconhecido faz com que tenhamos medo de morrer. Tudo isso, porque ignoramos o que é verdadeiro.
Nesse mesmo texto, Iyengar sugere a meditação (dhyana) como a maneira de trabalharmos as nossa aflições. Aquietar a mente faz com que tenhamos uma visão mais clara da realidade. E para chegar lá, passamos por todas as outras etapas no caminho do yoga: yamas, nyamas, ásanas, pranayamas, pratyahara, dharana... É um longo caminho... Quem topa embarcar nele?
Namaste!
Não resisti em colocar essa frase do Iyengar, a forma como ele começa seu capítulo sobre os Klesas (aflições) no livro "Luz na vida". Porque , para começar a falar sobre esse tema, queria primeiro desmistificá-lo. Sim, todos passamos por isso, constantemente. E isso não é um defeito, mas um padrão natural. Agora, vamos ao assunto:
Os Klesas são as aflições da mente humana, que manifestamos através pensamentos, reações ou padrões de comportamento. Estão presentes de diversas formas, em menor ou maior proporção, no decorrer de nossa vida, e são grandes obstáculos pois nos fazem agir de maneira repetitiva e egóica e, claramente, nos levam ao sofrimento. São eles: avidya (ignorância), asmita (orgulho), raga (apego), dvesa(aversão) e abhinivesa (medo da morte).
O primeiro, Avidya, é o precursor de todos os outros. Ignorância no sentido de ignorar a verdade, ou ignorar o que é permanente e o que é efêmero. Por conta da ignorância, sentimos orgulho de tudo que é nosso. MEU. Minha ideia, minha maneira de pensar, meus filhos, meus amigos, meus bens materiais... EU sou assim, eu tenho essa maneira de agir... É o segundo klesa, asmita. A tradução para asmita é "identidade do eu". Porém, esse eu, na verdade, é o ego, e não e nosso eu mais profundo, A Ignorância nos faz confundir os dois e dar para o eu egóico uma importância extrema, uma maneira de nos protegermos do resto do mundo. "Eu sou mais eu", ou eu sou mais bonito, mais inteligente, mais (!!!) evoluído espiritualmente...
E com esse grande apego à nossa pessoa, chegamos ao terceiro klesa, Raga, que podemos chamar de apego, ou desejo. Minha ideia inicial era escrever somente sobre essa aflição, então vou me focar nela por mais tempo. Nos apegamos a tudo que o nosso orgulho e a nossa ignorância afirmam ser nosso: carros, roupas, livros, marido, namorado, amigos, familia... E isso significa que temos um grande medo de perdê-los. Nos apegamos também a ideias e sensações. Por ideais e em busca de sensações de poder, ou por medo de perdê-los, aconteceram tantas guerras no mundo. Acontecem tantas guerras todos os dias, dentro de nós. Por apego à quem somos, ou o que acreditamos ser. Se tivessemos realmente claro em nossa mente que tudo é efêmero, não teríamos tanto medo de perder entes queridos, por exemplo, pois saberíamos que a única coisa que não morre é a alma. Mas o apego está presente em situações muito mais cotidianas. Para os praticantes de hatha yoga, por exemplo, podemos nos apegar à uma sensação boa que conquistamos durante um ásana. "Hoje eu vou fazer um sirshasana incrível como o da semana passada. Foi delicioso, fiquei imóvel por cinco minutos, e era capaz de sentir cada pedaço de pele, totalmente presente". Pronto, é o apego falando mais alto. Você não está presente, e seguramente o ásana hoje não será o mesmo. Bem, a verdade é que nunca é. O problema é que o apego por experiências passadas gera frustrações e sofrimento. Eu mesma, quando escrevi há uns meses sobre a iluminação, assumi que sou completamente apegada a determinadas sensações.
O quarto klesa é um irmão bem próximo do apego, mas com características opostas: é a aversão, ou dvesa. Raga diz: "Eu quero isso, eu não quero perder aquilo". Dvesa diz: "Mantenha isso bem longe de mim!!" "Não quero sentir isso, não quero ter que passar por essa situação, detesto esse lugar, odeio aquela pessoa!!!" Mas uma vez, é a ignorância falando mais alto. Afinal, se somos todos a mesma essência, não deveríamos odiar um ao outro. Se sabemos que o ego é algo superficial, porque ficar tão ofendido com uma ideia oposta à nossa?Se sabemos que estamos em constante transformação e aprendizado, porque ter aversão à sentimentos como rejeição, solidão, derrota? Somente a aversão ao sentimento de rejeição já daria tema pra um texto inteiro, e já falei sobre isso algumas vezes por aqui.
Por fim, ó quinto e último klesa é abhinivesa, ou medo da morte. Da mesma forma que a ignorância é a mãe de todos os klesas, o medo da morte é o filho caçula, que foi criado a partir de todos os outros. Nossa identificação com o nosso ego, nosso apego à ele e nossa aversão ao desconhecido faz com que tenhamos medo de morrer. Tudo isso, porque ignoramos o que é verdadeiro.
Nesse mesmo texto, Iyengar sugere a meditação (dhyana) como a maneira de trabalharmos as nossa aflições. Aquietar a mente faz com que tenhamos uma visão mais clara da realidade. E para chegar lá, passamos por todas as outras etapas no caminho do yoga: yamas, nyamas, ásanas, pranayamas, pratyahara, dharana... É um longo caminho... Quem topa embarcar nele?
Namaste!
20 de abr. de 2009
upavistha konasana
É um bom exemplo de postura que exige flexibilidade e por isso no início a sensação é de bastante desconforto. Mas é uma das posturas que mais pratico quando preciso de algo restaurador (ótima para o período menstrual), mas que me exija um pouco de tapas (determinação, austeridade ou esforço sobre si mesmo). Sinto uma sensação de bem estar e saio da postura revigorada, ainda que me exija bastante alongamento.
Namaste
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