30 de jul de 2008

Disciplina e flexibilidade




Gostei muito dessa historia, que li no livro Comer, Rezar, Amar (falo sobre ele no texto abaixo). É uma fabula indiana. Vou colocá-lo aqui, da forma como a autora escreveu:

"Durante horas por dia, o santo e seus seguidores meditavam sobre Deus. O único problema era que o santo tinha um gato jovem, uma criatura irritante, que costumava atravessar o templo miando, ronronando e incomodando todo mundo durante a meditação. Então o santo, com toda sua sabedoria prática, ordenou que o gato fosse amarrado a um poste do lado de fora durante algumas horas por dia , apenas enquanto durasse a meditação, para não incomodar ninguém. Isso se tornou um hábito - amarrar o gato no poste, e em seguida, meditar sobre Deus - mas, com o passar dos anos, o hábito se consolidou, transformando-se em um ritual religioso. Ninguém conseguia meditar a menos que o gato fosse amarrado ao poste primeiro. Então, um dia, o gato morreu. Os discípulos do santo entraram em pânico. Foi uma enorme crise religiosa - como poderiam meditar agora sem um gato para amarrar no poste? Como conseguiriam alcançar Deus? Em suas mentes, o gato tornara-se o meio.
...
A Flexibilidade é tão essencial para a divindade quanto a disciplina."

Elizabeth Gilbert - Comer, Rezar, Amar

Namaste!

Comer, Rezar, Amar

É o livro que estou lendo agora. Não é exatamente um livro sobre yoga, mas fala muito de yoga e de uma maneira bem bacana. Está entre os livros mais vendidos no mundo todo.

É o relato verídico de uma escritora de Nova York que depois de passar por um momento bem dificil em sua vida, resolve passar um ano viajando. Primeiro vai a Italia onde aprenderá italiano e desfrutará do prazer da comida italiana (nossa, como ela come!!!). Em seguida vai para a India, onde viverá em um ashram praticando yoga e meditação e procurando por Deus. E por último vai a Bali, onde buscará pelo equilibrio entre o prazer e a vida cotidiana, e a devoção.

O livro é delicioso de ler. Estou na terceira parte, ela acabou de chegar em Bali. A autora escreve de um jeito muito gostoso, e eu particularmente me identifiquei muito com ela. Tem uma história engraçada sobre isso: Quando comecei a ler o livro, devorei as primeiras páginas. Lia, me deliciava e imaginava todas as cenas descritas por ela. Imaginava Liz, a autora e personagem, morena, de cabelo liso, comprimento medio. E podia vê-la perfeitamente. Até que, lá pela página oitenta, resolvi fazer uma pausa na leitura e fui dar uma olhada na contra-capa, que ainda não tinha visto. De repente, lá estava a foto de liz: Completamente loira, cabelos encaracolados e olhos claros!!! Juro pra vocês que fiquei uns cinco minutos absolutamente atônita, olhando para aquela foto e pensando: "Não pode ser! Ela é morena, eu tenho certeza!" Depois de um tempo caiu a minha ficha: Eu havia me identificado tando com o que lia, que imaginava Liz exatamente como eu sou!

No meu caso, temos realmente muito em comum, praticamos yoga, temos essa busca pelo divino dentro de nós independente de religião, somos comilonas (atenção: eu não comeria nem metade do que ela comeu lá na italia, viu? que isso fique claro!!!), entre muitas outras características. Mas conheço outras pessoas que também leram o livro e tem vidas completamente diferentes da minha, mas também gostaram muito. Ainda estou em dúvida se é um livro para homens. Acho que depende do homem. Mas com certeza a maioria das mulheres vai adorar. Se é alguem que entrou nesse blog por interesse pelo yoga então... Vá fundo e delicie-se!!!

Namaste!

atualizações por e-mail

Para receber atualizações do blog por e-mail, mandar um e-mail para mariyoga8@gmail.com, demonstrando esse interesse.

Namaste!!

19 de jul de 2008


Parsvakonasana

sou um bebê


Já falei isso para algumas pessoas. Sou um bebê. Engatinhando. Ainda tenho um mundo inteiro pela frente, ainda tenho que aprender a ficar em pé sozinha, depois vou começar a andar, correr... Ainda é muito pouco o que sei. E vai continuar sendo pouco, daqui a 20 anos.

É assim que me sinto com o yoga: um bebê. E adoro isso! É maravilhoso poder olhar pra frente e ver um caminho imenso que ainda tenho que percorrer. Porque a vontade que tenho de percorrê-lo é enorme. E porque mesmo quando tiver 80 anos, e assim 60 anos de prática de yoga, talvez já tenha deixado de ser um bebê, mas não serei mais que uma criança, em plena fase de aprendizado. Para alguns talvez isso seja desanimador, nos dias de imediatismo em que vivemos. Mas eu acredito que quando deixamos de aprender, perdemos nossa razão de existir. Estamos sempre aprendendo, em todas as áreas da vida, mesmo que isso não seja consciente. No caso do yoga, é totalmente consciente. É um mundo extremamente antigo e misterioso que vamos descobrindo aos poucos, e acredito serem poucos na historia da humanidade os que chegaram a um ponto onde já se soubesse quase tudo.

Sou um bebê porque ainda sei muito pouco, e ainda tenho a vida inteira para aprender. Uma vez falei isso para uma amiga e ela disse: Bom, então se vc que é professora, pratica frequentemente e faz os ásanas que vc faz, é um bebê engatinhando, o que eu sou? Respondi: um bebê que ainda não aprendeu a engatinhar. A resposta veio rapida, e só depois parei pra pensar nela. Mas é verdade. Algo eu já aprendi. Mas a minha distancia da idade adulta é praticamente a mesma que a dela. A única diferença é que já aprendi algo antes, e por isso posso ensiná-la.

Namastê!




12 de jul de 2008

site do Arun

Se alguem tiver curiosidade de conhecê-lo melhor, aqui está:

www.yogashraya.org


.

8 de jul de 2008

Arun

No último fim de semana, participei de um workshop com um grande mestre indiano, Arun, discipulo direto de BKS Iyengar. As experiencias, as sensações e os aprendizados foram muitos. Posso escrever varios textos aqui sobre isso. Para começar, fazer aula com um indiano é algo bem diferente. Foram dois dias de prática profunda, mas ao mesmo tempo leve. A impressão que tive foi que a disciplina, a compreensão do yoga como filosofia de vida e principalmente a devoção nos indianos é algo que já faz parte de forma mais natural, mas simples. Nós precisamos buscar isso, com perceverança, pois é algo que está distante da gente. E com isso muitas vezes adquirimos uma rigidez na nossa prática que nesse fim de semana se mostrou desnecessária. Praticar com constancia, com disciplina, é estremamente importante. Isso Patanjali já dizia há milhares de anos. Mas muitas vezes confundimos discipina com rigidez, e isso pode inclusive nos prejudicar, fisica e psicologicamente. Arun pratica com o coração, e isso ficou claro durante o workshop, enquanto explicava cada asana com detalhes, mas deixando claro que cada corpo tem necessidades diferentes, quando contava as muitas historias que tivemos o prazer de ouvir e quando nos explicava o porque de cada coisa.

Logo no inicio do sábado, começamos como habitualmente, cantando o om. E logo ouvimos: vcs cantam muito alto! Estão cantando pra fora e deveriam cantar para dentro, para o coração. Cantamos novamente , então de forma mais suave, com o foco no coração, e que diferença! A energia era outra, o prazer era outro. Esse é só um exemplo pequeno de tudo que vivemos durante todo o fim de semana. Foi extremamente enriquecedor. Recomendo para todos, se ele ou qualquer outro como ele voltar nos próximos anos.

Namaste!