28 de mar de 2009

Obrigada!




Hoje fizemos um encontro lá na minha salinha de yoga, eu e alguns dos meus alunos. Foi bem gostoso, praticamos um pouco, meditamos e conversamos bastante sobre yoga, ásanas, iluminação, vipassana, entre outros.


Fico muito feliz sempre que vejo pessoas que buscam uma vida mais harmônica, e que encontram essa oportunidade através do yoga, que vejo ser um caminho muito eficiente, cada dia mais. E me emociona saber que posso ajudar um pouquinho nessa busca das outras pessoas!


Só uma reflexãozinha básica num fim de dia...


Agradeço muito a meus alunos e a todos que todos os días me mostram como é maravilhoso se dedicar ao yoga!


Namaste!

26 de mar de 2009

sobre iluminação

Recebi um ótimo comentário sobre meu post abaixo do Gustavo Cunha, professor de Portugal. É um ótimo embasamento teórico, tanto que pedi a ele autorização para colocá-lo aqui. Só queria antes de tudo esclarecer que eu não quis dizer que os textos antigos colocam essa imagem do "iluminado solitário", mas que muitas vezes é o que acaba surgindo no senso comum. Conheço alguns dos textos citados pelo Gustavo e gosto muito. Mas independente disso, continuo me sentindo bem mundana, e não vejo nada de contraditório nisso. Bks Iyengar, mestre que cito muito por seguir seus ensinamentos, diz que apesar de ter uma profunda busca espiritual (e na minha opinião já ter encontrado muito), e citar muito os textos de Patanjali, entre outros, em seus livros, sempre preferiu seguir na "vida mundana", como pai de familia e trabalhador.

Aqui está o texto do Gustavo. Aproveitem!

Gustavo Cunha deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Os prazeres do mundo e a iluminação":

Namaste,
Vou tentar clarear esse assunto de "iluminação" e depois dar a minha visão sobre o resto.
O objectivo do Yoga é, segundo Patanjali, nirvikalpa samadhi, a cessação de qualquer tipo de pensamento na mente. Ver aqui.
Essa ideia que é necessário fugir de toda a civilização e viver isolado numa caverna para atingir esse estado está realmente incutida no nosso imaginário mas é discutível, para além de ser um pouco romantizada.
Para o Vedanda, Moksha, a libertação do Samsara pelo conhecimento e a realização que já somos o que buscamos, o Ser pleno, imortal e ilimitado dá-se vivendo uma vida de acordo com o Dharma, e escutando as palavras das Upanishads da boca de um Guru realizado. Como é o caso de Swami Dayananda.
As outras buscas essenciais de qualquer ser (inclusivé não-humano) são Artha (segurança) e Kama (prazer) que proporcionam riqueza e a satisfação dos desejos naturais.
Aquele que realmente deseja o conhecimento ("iluminação"/liberação) com a mesma vontade que busca água para apagar um fogo no seu cabelo é chamado de mumukshu.
Um bom ponto de partida para o estudo de Vedanta, o meio de conhecimento que revela o Ser, é a leitura do Tattvabodhah e, claro, da Bhagavadgita.
Tu dizes: "Mas os prazeres da vida são deliciosos e eu não tenho a mínima vontade de abrir mão deles."
Tem um jeito de ver a vida, segundo a Gita, que Swami Viditatmananda explana da seguinte forma:
- Aceitar as situações da vida como prasada do Senhor;
- Aceitar a Sua lei do Dharma, os valores universais;
- Cultivar a discriminação, entre o que é eterno e o que é efémero.
Renunciar às preferências individuais, renunciar ações baseadas em Adharma e finalmente renunciar ao ego. O único desejo que permanece é ser livre de desejos pessoais, deixando que os Seus desejos sejam os meus. Aceitá-Lo como a meta na vida, servir sempre com a mente envolto Nele e Ele libertar-nos-á do ciclo de renascimentos. [Ver Bhagavadgita (18-66).]
Este é um processo de amadurecimento emocional que requer disciplina e estudo, esforço e persistência que dá uma chance a qualquer ser humano de atingir a sua verdadeira natureza.
Para uma pessoa como tu, que estuda Yoga e que, para além disso, ensina Yoga com o tempo poderá tornar-se o caminho mais natural.
Definitivamente, com altos e baixos, como é normal, mas "nunca irás regredir assim que aceites o caminho do conhecimento" - Swami Viditatmananda.
Espero ter contribuído de forma positiva Mariana.
Peço desculpa por usar demasiados termos sânscritos mas, de outra forma, seria impossível postar um comentário menor que um livreto.
:-)
Harih Om,Gustavo

25 de mar de 2009

Os prazeres do mundo e a iluminação

Esse foi um tema bem recorrente na viagem de volta do retiro de Vipassana, entre eu e meus 3 companheiros de viagem: Todos os dias ouvíamos que esse caminho, o caminho da meditação Vipassana, era o caminho para a iluminação, para uma vida sem sofrimento. Mas o que é exatamente a iluminação? O que é viver sem sofrimento? Viver sem sofrimento é também viver sem os prazeres da vida? Porque os prazeres geram apego, que gera sofrimento... Durante seis horas de viagem, ríamos bastante ao confessarmos que estávamos muito bem vivendo dessa forma, e que não nos interessava muito uma iluminação solitária e sem sal. Agora, depois de três semanas, a idéia voltou à minha cabeça.

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Ainda não é muito clara pra mim a idéia de iluminação. Já li algumas coisas, já ouvi outras, mas sempre acaba voltando aquela imagem do yogui que morou anos numa caverna, sozinho, sem alimento, mas com uma sabedoria e um poder plenos. Se alguém que ler esse post tiver uma boa resposta para o que é iluminação por favor não hesite em responder a essa buscadora com sede de opiniões! Mas volto a dizer o que disse quando voltava a São Paulo aos meus amigos meditadores: essa iluminação solitária não me interessa.

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Ok, Mariana, então, você é louca! Pratica yoga todo santo dia, fica vários fins de semana em workshops e cursos praticando o dia todo, passa dez dias sem falar meditando o dia inteiro, e agora vem me falar que não está interessada em ser iluminada? Então por que raios você faz tudo isso? Essa resposta eu tenho: Para viver mais feliz!! Para viver em harmonia comigo mesma, para encarar os obstáculos e sofrimentos da vida de forma mais leve e saudável. E tem funcionado muito bem, apesar de eu ainda ser um bebê engatinhando.

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Mas os prazeres da vida são deliciosos e eu não tenho a mínima vontade de abrir mão deles. Quero continuar tendo ataques de risos até sair lágrima do olho, quero continuar me apaixonando, vendo o mundo cor de rosa, e se a desilusão vier quero continuar aprendendo com ela pra fazer diferente da próxima vez. Quero continuar sentindo um enorme prazer ao desfrutar de uma boa comida. Quero continuar ficando arrepiada quando conheço um lugar novo com uma linda paisagem. Quero continuar curtindo a deliciosa companhia dos meus queridos amigos. Quero continuar feliz a cada novo aluno que me aparece. Quero continuar vivendo com conforto, e quero poder comprar uma blusinha nova de vez em quando. Quero continuar ouvindo música e cantando junto, quero continuar chorando que nem uma boba no final de todos os filmes, e quero enfrentar e sair de cada situação difícil com uma experiência e uma sabedoria maiores. A minha busca, ou a minha iluminação, é conseguir viver assim, com harmonia e discernimento. Aqui, bem aqui, nesse mundo doido onde a gente vive.

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Namaste!

11 de mar de 2009

A pedra no mingau

Essa história eu ouvi no retiro de meditação Vipassana:

" Um dia uma mãe fez um mingau muito saboroso, feito com aveia, açúcar e frutas secas, e ofereceu ao seu filho. O menino imediatamente ao olhar para o mingau encontrou algo estranho e disse:
- Mãe, tem uma pedra no meu mingau!
A mãe prontamente respondeu:
- Não é uma pedra, meu filho, é cardamomo, uma especiaria que dá sabor à comida.
Mas o menino não se convenceu:
- É uma pedra, estou vendo, é uma pedra!
-Meu filho, prove o mingau e veja como está saboroso!
- Não!! O mingau está estragado, tem uma pedra dentro dele!
-Muito bem, então eu tiro "a pedra" para você.
E a mãe tirou o cardamomo e ofereceu novamente o mingau à criança. Mas ele furiosamente disse que não queria comer algo estragado, e jogou todo o pote no chão.
A mãe, tristemente, recolheu a sujeira do chão, dizendo:
- Que pena! Você poderia ter aproveitado esse doce que estava tão saboroso... Mas por um simples detalhe que você acreditou ser uma pedra, jogou tudo fora!"

Gostei muito dessa história, pois serve como metáfora para tudo na vida: vejo muito hoje em dia as pessoas analizando detalhadamente tudo o que surge, e descartando ótimas ideias por causa de pequenos detalhes, que elas julgam serem importantes. Por que jogar uma ótima oportunidade fora, por conta de uma pedrinha?

Namaste!!

9 de mar de 2009

Bakasana



Atendendo ao pedido da minha aluna Fabi:
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É um ásana que eu gosto muito, pois além trabalhar força e equilibrio, é uma postura desafiadora, que exige ao mesmo tempo coragem e estabilidade. Além disso, segundo o livro "Light on yoga", fortalece os braços e trabalha os orgãos abdominais.
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Obs.: É sempre bom lembrar que coloco esses ásanas aqui como fonte de inspiração para quem já pratica ou para quem tem vontade de começar, mas que acho absolutamente necessária a prática com a ajuda de um professor. Não tente fazer nenhum desses ásanas simplesmente vendo a foto. Isso pode causar sérias lesões no seu corpo.
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Namaste!!

Garudhasana






Também conhecido como postura da águia, esse ásana trabalha o tornozelo e remove a rigidez dos ombros. É recomendado para prevenir e remover câimbras nas pernas e panturrilhas. Trabalha as articulações das pernas, braços, ombros e quadril ao mesmo tempo.

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Informações tiradas do livro "Light on yoga", de BKS Iyengar.

4 de mar de 2009

Vipassana

Para mais informações sobre os cursos de meditação Vipassana:

http://www.dhamma.org/pt/

Voltei!



Voltei no último domingo. E até agora não tinha escrito um pouco por falta de tempo, um pouco por não saber por onde começar. Fiquei somente dez dias, mas parece que fiquei mais de um mês fora. Foi muito intenso. Uma das experiências, senão A experiência mais forte e bonita que eu já vivi.

Fui para um retiro de Meditação Vipassana. É um retiro de dez dias de meditação contínua, meditamos o dia todo, parando apenas para comer, tomar banho, etc. Dez dias em nobre silencio, sem contato nenhum nem com o mundo externo nem com os outros meditadores, somente em contato comigo mesma.

Muita coisa foi trabalhada. Coisas atuais que eu já sabia que tinham que ser resolvidas, coisas que eu nem fazia idéia. Me vieram imagens de infancia, me vieram imagens de pessoas com quem eu nem sabia que tinha coisas a resolver, mas tinha... Todo momento, tudo era um aprendizado. Durante dez dias, nada passou em branco. Se aparecia um animal no meu quarto, era algo que eu tinha que trabalhar em mim (isso dava um texto a parte: a convivência amigável e "tranquila" que tive que aprender a ter com sapos, aranhas e outros!). Se o banheiro estava cheio na hora que eu queria tomar banho, mais um trabalho. Se um mosquito me picava, outro. Nada era por acaso. A relação com a comida. A relação com a vaidade. A relação com a natureza. Com o desconforto, com a dor. Com pessoas diferentes de mim. Com a falta de recursos. E, obviamente, com a fala, ou a falta dela. Tudo foi um grande aprendizado.

Saí de lá me sentindo leve, feliz! Saí de lá me sentindo resolvida. Agora surge um novo desafio: de volta a vida de sempre, colocar em prática tudo o que foi trabalhado por alí. Esse é o meu objetivo. Vamos ver até onde consigo chegar!

Namaste!