27 de dez de 2011

Meus votos para 2012



Quinta feira passada fui de manhã dar aula numa casa onde vou há 6 meses, num bairro residencial de São Paulo. Como o trânsito já estava melhor, cheguei 20 minutos mais cedo. Resolvi, então, dar uma caminhada pelo bairro. Estava um sol gostoso, forte, mas com um ventinho bom, e o bairro é muito arborizado, tem bastante sombra. Fiquei 15 minutos caminhando e reparando nas casas (todas de uma classe econômica alta, mas tão diferentes uma da outra),  sentindo o cheiro e o vento da rua, reparando nas pessoas que por ali passavam.  Percebi então, que frequento aquele lugar toda semana há seis meses, e nunca tinha sentido a rua. Nunca tinha visto a rua. Tudo que eu sabia era o caminho do carro até a casa onde dou aula. E dentro do carro ficamos meio anestesiados do mundo.

Foi uma experiência agradável e intensa, pois estar totalmente presente, por menos tempo que seja, é sempre intenso.

Desejo então que, nesse novo ano que se aproxima, nós tenhamos a proposta de sentir mais os lugares por onde passamos. Estar mais nos momentos em que nos encontramos. Curtir mais o vento, o sol e a sombra.

Iniciarei o ano numa bem esperada viagem à India. Nos vemos na volta, ou quem sabe durante a viagem...

Feliz 2012!!!

Namaste!!!





30 de nov de 2011

Sobre o papel do mestre




"Um guru não é alguém que tem seguidores. Um guru é alguém que pode mostrar o caminho. Vamos supor que eu esteja numa floresta e, por alguma razão, tenha me perdido. Então, encontro alguém e peço:  " Por favor, mostre-me o caminho de volta pra casa". A pessoa diria: " Sim, vá para este  lado”.  Eu respondo: “ Muito obrigado”, e sigo o caminho.  Aquele indivíduo foi um guru.
Há uma imagem no mundo hoje de que o guru tem seus adeptos que o seguem, como se ele fosse o Flautista de Hamelin. Isso não é bom. O verdadeiro guru é o que lhe mostra o caminho. Você segue o caminho, e então vai sozinho, por sua conta, porque você conhece a sua casa e você é grato. Posso sempre agradecer meu guru naturalmente e apreciar a relação com ele, mas não preciso segui-lo, porque senão não estaria um meu próprio lugar. Seguir o caminho do guru é uma outra forma de perder a si próprio.”
T. K. V. Desikachar

2 de nov de 2011

Recebi por email, e achei que valia a pena:

No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. Um pergunta ao outro:
- Você acredita na vida após o nascimento?
- Claro!  Tem de haver algo após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
- Sei lá!.. Certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
- Que absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo apenas:  não há vida após nascer, o cordão umbilical é muito curto.
- Certamente há algo. Pode ser apenas um pouco diferente do que estamos habituados aqui.
- Mas ninguém voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.
- Não sei como será após o nascimento, mas acho que veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
- Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela nada disso existiria.
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.
- Mas às vezes quando estamos quietos, podemos ouvi-la cantando, sentimos, como nos afaga... Eu penso: a vida real nos espera e que agora estamos nos preparando para ela…
(autor desconhecido)

Namaste!



26 de set de 2011

Por isso eu dou aulas de yoga



Tempos atrás pedi para meus alunos me responderem 3 perguntas por email, com o intuito de escrever algo no blog a respeito. As perguntas eram as seguintes:
-O que é yoga para você?
- Por que começou a praticar yoga?
- Você acha que algo mudou desde que começou a praticar yoga? Se sim, o que?
Minha ideia veio de uma discussão antiga, que vira e mexe retorna, sobre a forma como o yoga é apresentado no ocidente, sobre o risco de virar meramente uma atividade física, essas coisas.
Sou uma defensora eterna da ideia de que yoga é para todos. Para todos mesmo, e por isso não acho certo nenhum tipo de preconceito ou rejeição a nenhum tipo de aluno, mesmo aqueles que estão lá por causas "menos espirituais" ( se é que alguém nesse mundo pode chamar algo de mais ou menos espiritual).
Tenho um aluno que faz aulas comigo há 3 anos e até hoje diz que vai a aula de ginástica em vez de dizer yoga. Não canta mantra e não fala namastê no final. Procurou o yoga porque tinha problemas sérios no corpo, e meu espaço fica na mesma rua em que ele trabalha . Mas é um dos meus alunos mais antigos, e posso ver com clareza uma grande transformação no seu corpo e na forma de lidar com ele. E através disso, uma grande capacidade de olhar para si. E daí que ele diz que vai pra aula de ginástica?  Acredito que se eu insistisse com o fato do yoga ser uma filosofia de vida, provavelmente ele não estaria lá até hoje. O que importa não é a palavra que ele usa, mas a oportuinidade que ele tem de se conhecer um pouco mais a cada semana. E sim, nosso corpo é nossa casa, e deve ser tratado bem, então vê-lo conseguindo relaxar os ombros e com menos dor na coluna me deixa muito feliz!
Não seria o nosso ego que faz tanta questão de dizer ao mundo que não é ginástica, não é só fisico, etc? Sabemos disso, e fazemos a nossa parte. Por que essa necessidade tão grande de gritar isso o tempo todo pro resto do mundo?
Alguém que chega ao yoga em busca de uma melhor condição física, pode ir muito além disso. Mas para isso é necessário que seu professor o acolha sem preconceitos. E voltando às perguntas que fiz aos alunos, as variadas respostas me mostraram que as possibilidades do yoga são muitas, que bom, e que o único que posso fazer é acolher a todos que, pelos mais variados motivos e caminhos, chegam até as minhas aulas, e fazer a minha parte. Ele fará a parte dele. O que vai acontecer depois, realmente, não tenho como saber ou fazer nada a respeito. Só posso fazer o meu trabalho com o coração.

Aqui estão algumas respostas dos alunos:


"-Acho que a yoga para mim funciona como uma maneira de concentração. um período que me proporciona formas de  perceber cada pedaço do meu corpo, cada maneira de respirar, um momento do dia que tento me encontrar comigo mesma através das posturas, da dificuldade de cada uma, do prazer e do desafio de muitas! e por estar sem praticar a algumas semanas entendi que yoga nao é só aquela uma hora que pratico, ela na verdade é uma forma de pensar, de olhar, está mtas vezes nos detalhes do dia em que vc parou e olhou pra dentro.
-Fui procurar a yoga pela primeira vez como uma terapia, uma maneira de diminuir ansiedades, nervosismos, medos, enfim...tudo aquilo que me tira do eixo....fui buscar possibilidades de mais equilibrio e claro, de saúde.
- Mudou mta coisa, muda todo dia. cada vez que faço uma postura que nunca imaginei que faria e tb cada vez que lembro que fiz sinto que foi mais um passo que dei, um medo que venci, enfim, cada aula é uma possibilidade e uma nova chance que eu dou para mim mesma.....acho que yoga para mim é aprender a se relacionar bem com vc mesma.....talvez eu passe a maior parte do tempo brigando comigo mesma e a yoga seja uma maneira de fazer as pazes."

"- Yoga para mim é uma de terapia fisica e mental. 
 
- Curiosidade de conhecer melhor o Yoga  pois sou dentista e a indicava a meus pacientes como terapia complementar para casos de disfunção da Articulação Temporo Mandibular( ATM) pois os pacientes que apresentam essa patologia tem geralmente como fator desencadeador  (não é a causa principal) o Stress por variadas situações.
-Sim, passei  a dormir melhor, tinha insônia pois sou ansioso e também dores na coluna e no quadril por posturas inadequadas, até  mesmo pela minha profissão, idade (na casa dos 55anos) e esportes praticados (corrida e tenis).
Arisco a dizer que melhorei como individuo numa maneira geral."

"- É uma maneira de preservar meu corpo e minha mente, o que reflete no meu modo de encarar a vida.
Acredito que traz consciência à minha saúde física e mental e trabalha meu foco e concentração, não só no momento do ásana, mas às minhas ações diárias.
- Sim! Não sei se tem a ver, mas desde que pratico com disciplina (há 4 anos) percebi que criei maior resistência a gripes, resfriados, dores na coluna (nunca mais), TPM, entre outras. Melhorou mto minha ansiedade, regrei minha alimentação, e me tornei muito mais persistente." 

"A minha história com o yoga parece que existe desde antes da minha chegada ao mundo. Desde os meus 15 anos que tenho muita afinidade com fazer silêncio, ouvir o coração, perceber os limites do meu corpo, enfim, sempre tive muito interesse em tudo que se relacionava com a ligação do que eu pensava com o que eu sentia e onde tudo isso acontecia. Como ao meu redor não havia ninguém que partilhava deste universo, só tive contato com o yoga na época da faculdade. Lia muito, praticava pouco, mas era como se aquilo fizesse parte de mim. Quando comecei a praticar mais pude notar que o yoga é a minha vida, aquilo que me coloca em contato com o agora, me equilibra, me faz ver as coisas como são, boas ou ruins. Com o yoga consigo lidar melhor com cada momento, não só melhorei na maneira de encarar problemas, como também aprendi a aproveitar muito mais os momentos felizes e especiais. Desde que comecei, de fato, a prática, pude notar o ser humano que sou, minhas potencialidades e dificuldades. Deixei de ter vergonha do que não sei e passei a respeitar aquilo que me valoriza. Me sinto uma pessoa privilegiada por poder praticar algo tão completo e encantador. O yoga me encanta!!"

"- Faço yoga porque é o momento que decido para a mente e o corpo ao mesmo tempo.
- Sim , mudou muito. Minha postura perante o cotidiano corriqueiro de trabalho e deslocamento, me trouxe mais consciência do meu corpo e do lado mental que tende a prevalecer quase todo momento. Yoga me ajuda a pensar consciente, e diminuiu minha ansiedade e nervosismo."

"- Yoga para mim é uma atividade (física) extremamente prazerosa dentre todas que eu já fiz.  Física fica entre parênteses pois para mim ela não é apenas uma atividade física, mas um trabalho mais completo, pelo menos para quem acredita nisso, o que é o meu caso.
 - Faço Yoga porque sinto-me muito bem durante e após as aulas. Efeitos da tensão e má postura são quase sempre eliminados após as aulas, até mesmo minhas constantes dores de cabeça.
- O que mudou efetivamente, é e eu não consigo ficar sem fazer as aulas de Yoga."

Nesse momento, lendo todas essas respostas assim, uma seguida da outra, fico emocionada e só posso agradecer imensamente ao universo por ter colocado o yoga na minha vida, e a mim mesma, por ter escolhido dedicar-me isso. É isso, são experiências como essas que me fazem ser tão feliz sendo professora. O resto é teoria, é bem vindo, mas não me faz sair de casa para trabalhar.

Namaste! 





18 de set de 2011

Enquanto sigo sem vontade de escrever, vamos nos inspirando nos grandes:



“Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados.
Nosso medo mais profundo é de sermos poderosos além da medida.
É a nossa luz, não nossa escuridão, o que mais nos assusta.
Nós nos perguntamos, "Quem sou eu para ser brilhante, interessante, talentoso e fabuloso?"
Na verdade, quem é você para não ser?
Você é uma criança do Espírito.
Você, pretendendo ser pequeno, não serve ao mundo.
Não tem nada de iluminado no ato de se encolher para que os outros não se sintam inseguros ao seu redor.
Nascemos para manifestar a glória do Espírito que está dentro de nós.
E, à medida que deixamos nossa luz brilhar, damos permissão para outros fazerem o mesmo.
À medida que liberamos nosso medo, nossa presença libera outros.”
Nelson Mandela - 1994

20 de jun de 2011

Inspiração para sempre

 
 
" O que eu entendo por amor aparece no reconhecimento claro da existência da outra pessoa, e num autêntico respeito pelo bem estar e pelo direito dos outros. ... O caminho mais razoável para amar os outros está no reconhecimento do simples fato de que cada ser vivo tem o mesmo direito e o mesmo desejo de alcançar a felicidade e de não sofrer." 
 Dalai Lama

7 de jun de 2011

Matéria Isto é

Ótima matéria sobre yoga na  revista Isto É. Até que enfim uma materia feita com seriedade! Recomendo!

http://www.istoe.com.br/reportagens/140391_TODO+O+PODER+DA+IOGA?sms_ss=twitter&at_xt=4dedf17d242a09b7,2

Namaste!

26 de mai de 2011

Dois recadinhos pra servir de inspiração!

Nesse último fim de semana estive no Parque ecologico Visão Futuro, onde estou fazendo o curso de Biopsicologia. Muitas coisas boas vieram de lá, mas separei duas: Uma tirinha, excelente, que resume de forma simples e direta porque todo mundo tem que fazer yoga, e uma frase, escrita pela nossa querida colega Amanda, após uma calorosa discussão sobre o que podemos fazer para melhorar esse mundinho em que vivemos:

"Cuidado verdadeiro e despretencioso choca, mas toca."

E a tirinha:

Namaste!!

28 de abr de 2011

É a água que garante o milagre da flor


10 anos atrás, eu estava no primeiro ano de faculdade e resolvi fazer terapia. A história durou pouco mais de um ano e meio, porém uma experiência me marcou tanto que foi um orientador na minha vida por muito tempo: meu terapeuta levou pra mim um vaso com terra e alguns saquinhos de sementes. Disse que eu deveria escolher um tipo de semente para plantar uma flor. Nos saquinhos haviam fotos das plantas já grandes, e escolhi a que a mim parecia mais bonita, flores alegres e vivas. Mexi na terra, espalhei as sementes, reguei. A idéia é que a cada sessão semanal, eu molharia o vaso e veria o desenvolvimento da planta.


No início, tudo correu bem. Logo na primeira semana, nasceram os primeiros brotinhos. Eu os recebi com entusiasmo, imaginando aquela linda flor que eu havia visto na foto. Na semana seguinte, eles estavam maiores. Reguei, com grandes expectativas. Na terceira semana, cheguei contente esperando ver minha plantinha crescendo, e tudo que havia era um vaso com terra e alguns brotinhos secos. Isso serviu de tema pra meses de terapia e mais alguns anos sem ela.

A conclusão foi que, todo o tempo, eu cuidei da plantinha não curtindo o desenvolvimento dela, gradual e único, mas esperando aquela flor da foto do saquinho. Não conseguia ver o broto, somente a flor, que ainda não existia. Por isso ela não vingou. Assim eu era também na vida: trabalho, estudos, relacionamentos... vivia no mundo das fotos dos saquinhos que eu mesma projetava cada vez que iniciava algo novo. Tinha grandes filmes acontecendo na minha cabeça, e pouco acontecendo na vida real.

Há alguns meses, uma amiga me fez a seguinte pergunta: o que você acha, objetivamente, que o yoga mudou na sua vida? E pra mim a resposta foi clara: me ensinou a deixar de lado as minhas expectativas, e a viver mais cada momento. Hoje, sem dúvida, eu me sinto muito mais capaz de curtir os brotinhos, sem ficar imaginando a flor. E posso dizer que tenho vivido flores maravilhosas, porque tive paciência de esperar o brotinho crescer, regando e adubando o tempo todo.

Essa semana, as plantas me trouxeram outro insight valioso: há pouco tempo mudamos o jardim do nosso Espaço Tripé, onde dou aulas de yoga, e isso me animou tanto que tenho cuidado dele com um carinho que nunca tive antes. Em um dos vasos, a planta que estava lá anteriormente insiste em brotar, atrapalhando o desenvolvimento das novas margaridinhas amarelas. Todos os dias dou uma olhada para ver se não há novos brotos da planta antiga, e tiro as que eu encontro. E, muitas vezes, me dá uma certa pena arrancá-lo assim, pobrezinho!

Percebi então o quando isso é simbólico para o momento em que vivo hoje. Tem muita coisa mudando na minha vida. E para aceitar o novo e ver ele se desenvolver, até virar uma planta grande e vistosa, é preciso, muitas vezes, abandonar o velho. Mais isso não é tão simples, porque muitas vezes o velho não quer ir embora. O tempo todo nascem brotinhos indesejados que atrapalham o desenvolvimento do que está no presente, e dá uma certa pena arrancá-los e jogá-los fora, afinal, eles já fizeram parte de nós. Mas se não fizermos isso, em vez de uma planta grande e vistosa teremos um vaso vazio, pois um broto atrapalhará o outro e nenhum vingará. A boa noticia é que tenho conseguido manter o hábito de arrancar as praguinhas desde a raiz, lá no jardim. Espero conseguir também na vida.

Bem yogue isso, não?

Namaste!

26 de abr de 2011

Anatomia da yoga - Parte 4: Os músculos

Por: LUIZ TURISCO

Em uma entrevista foi perguntado ao Senhor Iyengar qual seria a chave da yoga:

“B.K. S Iyengar selou as mãos equilibrando as diferentes superfícies dos seus dedos, parte interna e externa, frontal e posterior.
 - Devemos equilibrar todas as energias de cada parte do nosso corpo”.






OS MÚSCULOS


Os músculos podem desempenhar várias funções em nosso corpo. Eles são formados por diferentes tipos de fibras, as quais influenciam diretamente em sua capacidade de produzir tensão. De um modo geral, o músculo é responsável pelo movimento dos animais. Seu funcionamento se dá pela contração e extensão de suas fibras.

A contração muscular é provocada pela saída de um impulso elétrico do sistema nervoso central que, ao ser conduzido ao músculo pelo nervo, promove o potencial de ação, resultando na entrada cálcio na célula e na saída do potássio (efeito conhecido como bomba de sódio e potássio).

Os músculos variam de tamanho e formato, dependendo de sua localização. Além de exercerem uma grande quantidade de movimentos, eles são importantes para a nossa postura. O músculo pode ser estriado esquelético, estriado cardíaco e liso. Os três tipos possuem as mesmas características, ou seja, podem se contrair, tornarem-se mais tensos, encurtar-se, enfim, tudo em resposta a um estilo nervoso.

O músculo estriado esquelético está inserido sobre os ossos e cartilagem e, junto com a pele e o esqueleto, forma o invólucro exterior do corpo. Estriado cardíaco, também conhecido como miocárdio, forma a parede do coração. Além disso, ele possui movimentos involuntários. Já o músculo liso tem uma coloração mais esbranquiçada, estando presente na constituição dos órgãos.

Elasticidade, irritabilidade, extensibilidade e contratilidade são suas quatro propriedades principais do sistema muscular. É através dessas características que o músculo se torna capaz de responder aos estímulos recebidos. O corpo humano possui cerca de 650 músculos, os quais auxiliam na movimentação, sustentação e em tantas outras atividades.

Eles se ligam a nossa estrutura óssea através dos tendões, capazes de suportar altas tensões e de respondê-las com diferentes tipos de rigidez.

O cérebro manda informação para os músculos que move as articulações e comanda a contração ou relaxamento muscular movimentando o corpo a realização das posturas, cada articulação está rodeada de músculos que se agrupam para produzir a contração ou relaxamento.

Os músculos agonistas são iniciadores do movimento atua para produzir um movimento concreto.

Os músculos sinergicos ajudam esse movimento (agonista)

Os músculos antagonistas se opõem a eles.

Todos os diferentes músculos atua para equilibrar as energias de cada parte do corpo.

Existem dois tipos de contrações musculares: contração isotônica e contração isométrica.

• A contração isotônica refere-se a uma contração em que um músculo encurta enquanto exerce uma força constante que corresponde à carga que está sendo erguida pelo músculo. Divide-se em concêntrica e excêntrica. Na concêntrica a contração vence a resistência e há o encurtamento muscular e na excêntrica a resistência vence a contração havendo o alongamento muscular.

Ex: A corrida é concêntrica, pois o velocista vence a barreira do ar

Ex: Queda de braço é excêntrica, pois a resistência está em seu oponente.

• A contração isométrica refere-se a uma contração em que o comprimento externo do músculo não se altera, pois a força gerada pelo músculo é insuficiente para mover a carga à qual está fixado.

No corpo, a maioria das contrações é uma combinação de ambas as contrações.


Atrofia:

Diversas doenças causam uma diminuição da massa muscular, conhecida como atrofia muscular. Alguns exemplos incluem o câncer e a AIDS, que podem induzir uma síndrome chamada caquexia.

Os músculos esqueléticos ou músculos estriados, já que apresentam estriações em suas fibras. São os responsáveis pelos movimentos voluntários; estes músculos se inserem sobre os ossos e sobre as cartilagens e contribuem, com a pele e o esqueleto, para formar o invólucro exterior do corpo.

A maioria dos músculos está presa ao esqueleto, junto a articulações, abrindo-as e fechando-as. Nas articulações, esses músculos são presos a ossos por meio de tendões, que são cordões de tecido conjuntivo.

12 de abr de 2011

Anatomia da yoga - parte 3: A coluna vertebral e os chakras






Por Luiz Turisco.


“Somos feitos pelos sistemas respiratório, circulatório, digestivo, nervoso, glandular e genital-excretor. Cada um deles depende dos demais para que execute funções ritmicas saudáveis. As secreções do sistema hormonal são consideradas um fator essencial para a tranquilidade da mente. O lar de todos esses sistemas é a coluna vertebral (merudanda). A coluna, seus músculos, nervos e fluido mantém todos os sistemas funcionando de acordo. A ciencia da Ioga foi habilmente descoberta pelos iogues de modo a cuidar da merudanda ou vinanda para preservar a saúde dos ramos da coluna, como fibras, tendões, células, nervos, sentidos, inteligência mental, ego e consciência.”

B.K.S.Iyengar

A coluna vertebral é dividida em partes diferentes, como as regiões coccigiana, sacral, lombar, dorsal e cervical. Redes de plexos e glândulas endócrinas situam se em contato com as diversas partes da coluna e podem provocar tanto distúrbios de saúde ou de equilíbrio quanto ajudar a constituir a saúde física e o equilíbrio mental. A seu modo, os iogues estudaram o corpo humano, principalmente a coluna vertebral. Por meio de sua capacidade intuitiva, estudaram os centros energéticos na medula espinhal e os chamaram de Chakras.

Chakra significa roda, diagrama, ciclo ou círculo. Assim como a roda de uma máquina gigantesca está conectada a uma engrenagem volante, em torno da qual toda máquina se move como uma corrente, as descargas rítmicas dos chakras afetam o funcionamento de depressões ou elações físicas, fisiológicas, mentais, místicas e espirituais. Os sete chakras são os depósitos de força. Dada a localização de vários chakras, como explicado nos textos de ioga, muitos autores defendem que representam os plexos ou glândulas endócrinas. Eles podem ou não corresponder a essas glândulas, apesar de sua localização ter uma correspondência muito próxima. Se os plexos e as glândulas funcionam em níveis psicofisiológicos, os chakras funcionam no nivel da iluminação espiritual. Os chakras estão ocultos no âmago do canal espinhal, que dizem ser mais fino do que um fio de cabelo, e tem acesso a todo o funcionamento do corpo. Estando esse cordão exatamente no centro do corpo, os iogues o chamaram de madhyama nadí, ou nervos centrais. Portanto, os nervos centrais representam o sistema nervoso central da medicina moderna. Sabemos que, apesar da existência de equipamentos científicos avançados, pouco se sabe sobre esse sistema nervoso central. De acordo com os iogues, a energia liberada pelos chakras é conhecida como força vital (prana sakti ou jiva sakti), enquanto o sistema nervoso autônomo estaria nas laterais direita e esquerda da coluna vertebral como uma parte interior dos nervos (antaranga bhaga); os nervos periféricos são a parte externa dos nervos (bahiranga bhaga). Apesar de o funcionamento do sistema nervoso central ainda ser um desafio para a ciência, ele já era conhecido e entendido pelos iogues por meio de sua intuição e estudos dedicados.

1 de abr de 2011

Anatomia do Yoga - parte 2 : O esqueleto humano ( ossos)


Por Luiz Turisco

O esqueleto humano tem como função principal sustentar e dar forma ao corpo, mas também proteger determinados órgãos vitais, como, por exemplo, o cérebro, que é protegido pelo crânio, e também os pulmões e o coração, que são protegidos pelas costelas e pelo esterno.

Os ossos do corpo humano variam de formato e tamanho, sendo o maior deles o fêmur, que fica na coxa, e o menor o estribo que fica dentro do ouvido médio.

É nos ossos que se prendem os músculos, por intermédio dos tendões.

O esqueleto feminino difere um pouco do masculino, como, por exemplo, na pélvis, cujo formato favorece a saída de um bebê do ventre da mãe.

Fazem parte também do esqueleto humano, além dos ossos, os tendões, ligamentos e as cartilagens.

Funções em geral dos ossos incluem sustentação do corpo, locomoção, Proteção dos órgãos vitais (como o coração, pulmão e encéfalo), produção de células sanguíneas e reserva de cálcio.

Através do impacto causado pelos saltos nas aulas de iyengar yoga para afastar ou aproximar os pés, há uma melhor absorção do cálcio pelo ossos melhorando a densidade óssea , evitando algumas doenças como a osteoporose por exemplo.

Os Asanas de abertura no inicio da prática têm o objetivo de alinhar os principais ossos e articulações do corpo garantindo uma simetria saudável para em seguida realizar os asanas propostos em aula.

Exemplo: Supta padangustasana I com o cinto posicionado na região do calcâneo, faz com que as articulações do tornozelo, joelho e coxofemoral alinhem-se proporcionando um encaixe adequado, protegendo e lubrificando essas articulações que vão ser movimentadas na pratica dos asanas.

O osso é uma estrutura encontrada apenas nos animais vertebrados, formado por um tipo de tecido conjuntivo (tecido ósseo). É caracterizado por uma matriz extracelular endurecida pela presença de compostos de cálcio em suas estruturas.

O conjunto dos ossos de um animal é o esqueleto, que sustenta o corpo e servem de apoio para os músculos, permitindo assim o movimento.

Os ossos também possuem relação com o metabolismo do cálcio, e a medula óssea está relacionada com a formação das células do sangue.

O estudo dos ossos chama-se osteologia.

Doenças dos ossos:

Os ossos, ou o próprio esqueleto humano, podem apresentar diversas patologias e estão suscetíveis a lesões. As mais comuns são os traumas e as doenças degenerativas como escoliose, lordose, cifose, ou a perda de minerais conhecida como osteoporose.

Artrose

É o desgaste da cartilagem articular por traumas, pelo envelhecimento natural ou doençãs. Ela é uma doença articular degenerativa, também conhecida como osteoartrose, osteoartrite, artrite degenerativa, é uma doença reumática que incide principalmente nas articulações dos joelhos, coluna, quadril, mãos e dedos.

 Curiosidades:

• Os ossos já estão presentes desde as primeiras semanas de vida no útero materno e ficam completamente formados por volta dos 25 anos de idade.Mas a parada do crescimento é na adolescência, quando entram os hormônios da puberdade.

• Os bebês nascem com estruturas entre alguns ossos do crânio, chamadas fontanelas, popularmente chamadas "moleiras". São estruturas frágeis que com o passar dos anos tendem a desaparecer. Existem para permitir a passagem do bebê pelo canal vaginal no parto e crescimento do encéfalo.

• Enquanto o esqueleto de um indivíduo adulto é formado geralmente por 206 ossos, o de um recém nascido tem 270.  Entretanto, uma pequena porção da população humana tem um ou mais ossos extras, por exemplo: costela supranumerária cervical. Ou a ausência de um ou mais ossos, exemplo: esterno (ausência congênita).

Japão, por Monja Coen

Recebi esse texto por email, me tocou e resolvi dividí-los com vocês. Agradeço à  Monja Coen por escrever textos tão bonitos que circulam generosamente pela internet, e, mesmo sem conhecê-la, peço licença para colocá-lo aqui.

Namaste!








Por Monja Coen


Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão,
me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.


Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.


Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?

Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.


Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras.

A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima.


A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas.


Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.


Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.


Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos-
mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.


Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.


Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.


Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver. Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor, pelo minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo. Sumimasem.


Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas.


O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.


Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.


Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que “somos um só povo e um só país”.

Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.


Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.


Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.


Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução.


Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.
Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.
Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.

Mãos em prece (gassho)
Monja Coen

24 de mar de 2011

Anatomia do yoga: noções básicas

Gente, ganhamos mais um super presente!!!

Meu amigo Luigi Turisco, além de ótimo professor de yoga agora é também professor de anatomia. Ele muito gentilmente ofereceu o material do seu curso pra eu colocar no blog. Vou colocar aqui numa série semanal de postagens.

Acho importantíssimo que os praticantes de yoga tenham um mínimo conhecimento de anatomia, não para decorar nomes de ossos e músculos, mas para entender o próprio corpo, saber protegê-lo durante a prática e como evoluir nela. Portanto, façam bom proveito!!

E muito obrigada, Lu, pelo presente!!

Namastê!



Ao conhecer melhor seu corpo, você conhece melhor sua história de vida, pois ela está escrita na sua postura e na forma como você se movimenta. Através da prática de ásanas queremos reescrever determinadas partes dessa história. A transformação da postura física produz uma transformação da postura interior em relação à vida. Queremos o corpo livre de tensões e condicionamentos para usufruirmos de uma boa prática.
O maior objetivo aqui é a conscientização durante a prática para evitar lesões, dessa forma seguindo o princípio ahimsa (não-violência), e produzir resultados de transformação. Através das técnicas expostas é possível chegar a um equilíbrio corporal que é essencial para as práticas de ásana, pránáyáma e meditação.

Vamos começar com ossos, músculos e articulações, para que você possa entender como proteger suas articulações durante a prática de ásana.

Os ossos são estruturas passivas, dão estrutura e proteção ao corpo (exemplo: caixa torácica e crânio), além de produzirem as células vermelhas do sangue, são os responsáveis por produzirem movimento através de alavancas guiadas pelos músculos esqueléticos.

Os músculos esqueléticos são conectados aos ossos através dos tendões, cruzam as articulações e guiam os movimentos corporais. Estes para se manterem saudáveis e livres de lesões, devem ter em equilíbrio entre as suas qualidades de força e flexibilidade.

 O movimento acontece quando um músculo se contrai e os ossos se aproximam (geralmente um osso fica fixo, ou seja, origem do músculo, e o outro se move em direção ao osso fixo, sendo chamado de inserção do músculo).

 Todos os músculos são cobertos por uma membrana chamada fáscia. Esta membrana separa os músculos em grupos e entre eles existe um líquido. Este líquido tem a função de fazer com que os músculos deslizem uns sobre os outros dando mobilidade ao corpo. As extremidades dos músculos são definidas pelos tendões que se conectam aos ossos. Os tendões são formados por um tecido fibroso, por isso, eles têm menos flexibilidade que os músculos, se alongando somente 4% de sua estrutura.

Para que o movimento aconteça, existem as articulações. As articulações são as junções entre um osso e outro. Seus componentes são ossos, músculos, tendões e ligamentos. Os ligamentos são como os tendões, estruturas fibrosas, que também se alongam somente 4%. Os ligamentos são super importantes para dar firmeza e estabilidade às articulações e tem a característica de se alongarem, mas não se retraem novamente. Por isso, todo o alongamento que queremos obter deve ser feito na gema do músculo, ou seja, no centro do músculo e não perto das articulações. Pois uma vez que o tendão ou o ligamento é excessivamente alongado, ele não volta ao tamanho normal, produzindo instabilidade na articulação. Caso isso aconteça, é muito importante então fortalecer os músculos que envolvem essa articulação. Infelizmente temos a idéia de que para ser um "bom yogi", temos que ser flexíveis, mas flexibilidade excessiva pode ser prejudicial à saúde, pois instabilidade nas articulações produz lesões com o tempo inevitavelmente.

Os músculos, para efetuarem todas suas funções, devem ser fortes e flexíveis podendo assim proteger as articulações. Um músculo somente flexível não é saudável, pois não sustenta adequadamente os ossos. Os ossos são passivos e dependem totalmente dos músculos para produzirem movimentos e serem sustentados. Então tenha em mente que os músculos devem sustentar os ossos e não o contrário, os músculos ficarem "pendurados" nos ossos.
Percebemos então que é muito importante o equilíbrio entre força e flexibilidade. Para conseguir manter esse equilíbrio, ao praticar observe que regiões do corpo você é bastante flexível, e então equilibre esta flexibilidade trabalhando a força, e vice versa, para que seus músculos e tendões continuem protegendo suas articulações, cumprindo sua verdadeira função.
Para isso durante a prática é preciso de muita atenção e consciência. Tendemos a trabalhar o corpo da maneira que ele está acostumado e que é mais fácil para nós. Perceba sua tendência de ficar mais tempo na postura do lado que é mais fácil e como você gosta de fazer aquilo que já está acostumado. Observe suas facilidades e trabalhe sobre as dificuldades. Devemos trabalhar tapas (esforço sobre si próprio), deixando o ego do lado de fora para não ultrapassarmos nossos limites. Lembre-se que colocar o pé atrás da cabeça não significa evolução, mas se observar e saber trabalhar seu corpo da melhor maneira possível pode ser um grande passo em direção ao objetivo do yoga. Observando-se e aceitando aonde você se encontra agora.


Por Luiz Turisco




16 de fev de 2011

Nada é permanente


Outro dia uma aluna, que na semana anterior chegou à aula queixando-se de muita dor, me falou o seguinte: “É muito bom quando a dor passa. É ótimo quando percebemos que ela não vai ficar para sempre.” Ela vinha de uma semana difícil, com uma porção de coisas acumuladas que geraram dores no corpo, insônia, entre outros. Nessa semana recebi um email de outra aluna explicando sua ausência nas últimas aulas, com uma lista de questões físicas e emocionais que lhe tem tirado o sono. Na mesma hora me veio à mente a frase acima. Respondi dando uma série de sugestões de coisas que ela poderia fazer em casa, e terminei dizendo que o mais importante era ela perceber que, por mais difícil que estivesse sendo, era apenas uma fase, e que, portanto, passaria.


Esse tema me fez lembrar um dos maiores ensinamentos que ouvi quando fiz o retiro de meditação Vipassana: o princípio da impermanência. Nada é permanente, pois tudo está constantemente em processo de mutação. Logo, não devemos ter aversão às sensações ruins que possam surgir, pois elas também passarão.

Quando temos algum problema, a tendência é focarmos a nossa atenção nele, seja para achar alguma solução, seja porque simplesmente nossa mente gosta de problemas, é uma linda forma de “estar por cima”. Porém, quando compreendemos que “até isso passará”, seja o que for, a coisa deixa de ter tanta importância. E, consequentemente, passa mais rápido. Se aquela minha aluna tivesse dado menos importância ao seu estado naquele momento, provavelmente o problema teria sido menor. E talvez ela nem tivesse ficado tão feliz quando ele passou.

Tudo passa: dor, tristeza, angústia, decepção... Até as alegrias são impermanentes. Estão, para que sofrer tanto por elas? “ah, até parece que é assim tão simples!” É simples sim! E por isso é tão difícil!

Escrevi esse texto algumas semanas atrás, e não postei porque faltou escrever sobre a experiência que tive, coincidentemente, no dia seguinte. Estava na praia, e na volta, tive a felicidade de pegar um trânsito de 5 horas pra voltar a São Paulo, num caminho que normalmente seria feito em duas horas e meia. Foi difícil, com certeza. Mas foi muito menos difícil do que poderia ter sido se eu e meu namorado tivéssemos nos estressado com a situação. Nossa escolha foi o silêncio. Porque nessas horas, é como se estivéssemos numa TPM turbo: qualquer coisa vira motivo para discussão. Ficamos algumas horas trocando pouquíssimas palavras, simplesmente esperando que em algum momento chegaríamos em casa. E quando chegamos (sim, chegamos, a situação chegou ao fim!), minha sensação era de gratidão por termos sido, através do silêncio e da espera, tão companheiros um do outro.

Terminando, deixo aqui uma frase que gosto muito, já ouvi algumas vezes como um provérbio indiano e já até postei no blog:

“ Se o problema tem solução, então não há porque se preocupar. Se o problema não tem solução, então não há também porque se preocupar.”

Namaste!

5 de fev de 2011

Recebi esse video por email. É longo, mas vale a pena. Trata-se de uma neurocientista que descreve seu próprio derrame, e através disso sua descoberta sobre o nirvana, como ela diz, ou iluminação, ou samadhi, ou o que for... Recomendo!

Namaste!




http://www.youtube.com/watch?v=m0O0Il8Vn_g&feature=related

7 de jan de 2011

Feliz 2011!!




Que nesse ano que inicia, possamos estar cada vez mais presentes. Que estejamos cada vez mais conscientes de nossos passos, de nossas ações, de nosso caminho. Que possamos sentir nosso corpo, observar nossa mente e que o contentamento esteja presente em todos os momentos, para disfrutarmos dos momentos de alegria e compreendermos as dificuldades ultrapassando-as assim com maestria.

E, através disso, que o amor e a abundância estejam sempre presentes em nossas vidas.

Comecei o ano na Chapada Diamantina, em contato com uma linda natureza e uma energia incrível.

Amanhã volto para São Paulo e segunda feira volto a dar aulas, feliz e energizada para o ano que inicia.

Namaste!