16 de dez de 2009

Valorizando o sofrimento alheio

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Há pouco tempo escrevi aqui sobre a importância de praticar o contentamento, ou santocha. Volto a esse tema por estar percebendo algo muito frequente, que tem me feito pensar. Não basta a negatividade que temos em relação a nós mesmos, tenho percebido uma tendência a ver o lado negativo nos outros. Só agora, depois de quase um mês da minha cirurgia, minha voz está voltando ao normal. Não me preocupei porque via um progresso constante, a cada dia ela melhorava um pouco. Mas esse diálogo sempre acontecia: " Sua voz continua ruim!" "É, mas ela está melhorando, está melhor que da última vez que falamos, não, está?" " Sim, mas continua ruim!". Ou, então, se referindo a minha cirurgia: " Nossa, que susto você passou, hein? que momento dificil!". Aí eu respondo: " Mas eu estou ótima!! Minha recuperação foi super rápida, não tive nenhum dos problemas que ouvi falar, estou me sentindo super bem!". E escuto: "É, mas foi um susto!"

A sensação que tinha nessas situações recorrentes era que não importava o que eu falasse, sempre viria uma ênfase no lado ruim. Chegou uma hora que resolvi parar de dar conversa pra essas pessoas, e dar mais atenção àquelas que, ao contrario, me davam versões positivas. Mas ao mesmo tempo comecei a perceber que essa história se repetia em outras situações, com outras pessoas. Comentei com alguém que me disse que as pessoas gostam de falar do que acontece de mal aos outros, pra não olhar para o que ocorre a si mesmos. Pode ser. Deixando as pessoas a nossa volta para baixo, nos colocamos acima. Mas acho que existe também um lado muito presente na nossa sociedade que evoca o sofrimento. É preciso sofrer para crescer. O sofrimento é valorizado, enquanto uma pessoa que não sofreu, " o que ela sabe da vida?". Então, confundimos a prática da compaixão com a valorização do sofrimento, ou o desejo de estarmos ao lado de alguém em situação menos favorável. Não me lembro agora onde foi que eu li que a felicidade é o estado natural do ser humano, e não o sofrimento. Assino embaixo.

Compaixão é dar força para alguém que passa por uma situação dificil, para que possa transformar a sua realidade. É ser realista, e não pessimista. Isso é maravilhoso. Se a pessoa que está a sua direita só é capaz de te deixar mais pra baixo, esperimente olhar para a esquerda, talvez você encontre alguém mais interessante. Mas acima de tudo, pratique santocha interiormente, sabendo ver os dois lados da história, e principalmente, o que se pode aprender com isso. Se estivermos contentes por dentro, não há quem nos derrube! Isso é o que eu tenho percebido nessa minha recente experiencia. Por outro lado, vale a pena se observar, para ver se você não é, em determinado momento, o que leva negatividade para quem está contigo. Se isso acontecer, é melhor rever as suas verdades.

Lokha samasta sukhino bhavantu

(que todos os seres do mundo sejam felizes e prósperos)

Namaste!

12 de dez de 2009

mantra para Patanjali


Om...

yogena cittasya padena vacam
malam sarirasya ca vaidyakena
yo pakarottam pravaram muninam
patanjalim pranjaliranatosmi

abahu purushakaram
shankha chakrasi dharinam
sarasra shirasam svetam
pranamami patanjalim

hari om


Ps.: Não sei colocar os acentos do sânscrito no meu computador... se alguém souber, por favor me ensine!!


namaste!

30 de nov de 2009

Supta baddha Konasana

Por Bia Cattoni




Nesta postura você vai precisar de alguns acessórios:

1 almofadão (que pode ser substituído por um cobertor dobrado de forma cilíndrica) , 1 cobertor dobrado ou almofada ou 1 travesseiro para apoio da cabeça, 2 blocos ou duas almofadas para apoio das coxas , 1 cinto para passar na base da coluna e prender nos pés. (Caso não tenha o cinto, una a planta dos pés.

- Entre na postura caso precise de maiores orientações peça ajuda ao seu professor.
- Relaxe na postura pelo tempo que você achar necessário e confortável.

- Antes de desfazer completamente, tire os pés do cinto e alongue as pernas, permaneça por mais algumas respirações .
- Para desfazer completamente deite-se para direita, fique mais um pouco e sente-se em SUKASANA.

LEMBRE-SE: Essa postura trás uma série de benefícios :


- Melhora dores de cabeça e enxaqueca ( cubra os olhos com um lenço)
- Melhora a digestão
- Indicado para cólicas menstruais e estomacais.

28 de nov de 2009

Sorria! Você está meditando!

Por Mariana Akamine



Recebi esse texto hoje por email, e me emocionou a feliz coincidência: Essa semana tenho meditado bastante, e uma prática que tenho feito durante a meditação, é a de sorrir. Durante a meditação, ou logo após, simplesmente sorrio. Se o sorriso não vem imediatamente, algum breve pensamento basta para que ele apareça. E a sensação no inicio pode ser um pouco estranha, mas depois, me proporciona uma paz muito grande. Foi uma necessidade que me veio de repente, a de sorrir. E agora creio que fará parte das minhas meditações sempre. Recomendo!


"Muita gente questiona se seria adequado fabricar deliberadamente um ar sorridente, durante a meditação, quando não estiver se sentindo particularmente alegre. O nosso Mestre Thich Nhat Hanh responde esta pergunta dizendo que: sorrir é uma prática.

Thây nos explica que existem mais de trezentos músculos em nossa face, e quando estamos, por exemplo, com raiva ou com medo estes músculos se tencionam, e a tensão muscular cria (e também alimenta) um sentimento de rigidez, mas se a pessoa respira e produz um sorriso, a tensão desaparecerá. Por isso, o Mestre nos encoraja a exercitar o sorriso. Diz ele: apenas respire e sorria – que a tensão desaparecerá e você se sentirá muito melhor. Ele chama esta prática de "yoga da boca".

Thây argumenta que às vezes a alegria produz um sorriso, mas também às vezes o sorriso labial provoca relaxamento, calma e alegria. Isso que dizer que tanto a mente quanto o corpo podem desempenhar o papel de líder da alegria. O bem-estar (ou alegria) é físico-mental. Por isso não espere para sorrir só quando o sentimento de alegria já estiver dentro de você. Você pode invocá-lo através da prática do sorriso meditativo.

O Mestre Nhat Hanh diz que ele não espera que a alegria esteja dentro dele pra sorrir; pois sabe que se sorrir a alegria virá depois. Ele nos conta que, às vezes, de noite quando está sozinho num quarto escuro, pratica sorrir pra si mesmo. Ele explica que faz isso para cuidar dele com amorosidade, pois ele sabe que se não for capaz de cuidar de si mesmo, não poderá cuidar de mais ninguém.

Yoga do sorriso é, portanto, uma prática compassiva, que por sua vez é uma prática fundamental e imprescindível, visto que a compaixão é o néctar da mente iluminada.


Por isso, não hesite: sorria para a vida! A paz começa com o seu amável sorriso. "



O texto veio como um desses emails que vão passando de "mão em mão" e com o tempo não sabemos mais quem escreveu... por isso, peço licença para colocá-lo aqui no blog, sem crédito. Se alguém souber de quem é, por favor me diga!




Namaste!

24 de nov de 2009

"Momento diario"- mais uma vez, vontade de dividir, seja com quem for...

Por Mariana Akamine


Mais uma vez falando sobre limites, aceitar, conhecer, etc...

Não tenho escrito muito, como os leitores desse blog devem ter percebido. Muitas coisas acontecendo do lado de cá. A última novidade é que estou passando uma semana em casa, depois de duas cirurgias na semana passada. Fiz uma cirurgia de emergência para retirada da minha vesícula, que estava inflamada e cheia de cálculos. Algumas pedras migraram para as vias biliares, e no dia seguinte passei por outra cirurgia para retirá-las. Eu que nunca havia ido para o pronto-socorro na vida, agora sei tudo sobre hospital!!

Tá tudo bem, me recuperando aos poucos, mas bem. Mas não tem sentido nenhum ficar escrevendo sobre a minha enfermidade, se não for pra falar sobre a experiência em si. Como eu sempre digo, e acredito muito nisso: tudo é experiência, tudo é aprendizado. E há uma semana, tudo que tenho vivido tem sido um aprendizado constante. A cirurgia foi, como dizem os médicos, simples. Mas pra mim foi uma porrada e tanto. Tive que reaprender a comer (literalmente, meu corpo teve que reaprender a digerir, o que nos primeiros dias me causava cólicas e me exigia um certo exercício de paciência). Meu corpo se curvou completamente, e agora tenho que reaprender a colocar a coluna ereta, voltar os ombros pro lugar, etc. Algo na entubação machucou a minha garganta, e estou há dias sem voz. Sem contar a questão psicológica, de de repente sentir o meu corpo absolutamente frágil, e assim sentir-me frágil como nunca. De depender dos outros para uma porção de coisas. E de, o que talvez seja a maior questão de todas, de não poder trabalhar. Amo o meu trabalho, e sempre senti que sou alimentada por ele. Mas de repente, comecei a repensar uma porção de coisas a esse respeito. Como talvez esse amor pelo trabalho seja raro e maravilhoso, mas ao mesmo tempo gere uma dependencia. Apego. Cá estamos nós novamente com essa palavrinha!

A atenção que tive dos meus amigos foi incrível. O tempo todo o telefone tocava pedindo noticias, tenho recebido ainda muito carinho e isso me deixa muito feliz, faz com que eu me sinta querida e agradeça imensamente ao universo por ter tantas pessoas especiais na minha vida. Mas me gerou outros questionamentos também...

Estou me sentindo como em um retiro, onde a todo momento algo é trabalhado. Cada ação, cada reflexão, cada piscada é um trabalho dentro de mim. Parece exagero, mas é assim como eu me sinto no momento. E aí vem novamente a questão do yoga presente no dia-dia. Não posso praticar ásanas, tenho meditado e feito pranayamas. Mas com certeza, tenho vivido o yoga intensamente, no sentido de me observar, de ter paciência, disciplina e concentração para viver o presente (as vezes tudo o que eu quero é que meu corpo volte logo ao normal, confesso...), e inclusive de perceber como minha mente ainda me domina e me leva para longe, e como é dificil voltar pra cá...

E o mais interessante nisso tudo, é que amanhã vou ficar mais velha! Com certeza está acontecendo uma bela faxina para esse meu novo ano. Como uma boa sagitariana otimista, só posso terminar esse texto dizendo: Que bom, né?!

Namaste!

10 de nov de 2009

A importância das posturas restauradoras

Por Mariana Akamine

Adho mukha svanasana restaurador com kuruntha e blocos.

Sirshasana com kuruntha.

Mais uma vez pude comprovar com a minha própria experiência a importância de uma prática restauradora. Eu, pitta que sou, sagitariana com ascendente em áries, sempre gostei de práticas fortes, onde eu sentisse ao máximo todo o meu corpo, que me desafiassem, e me fizessem ultrapassar os meus limites. Mas, nas últimas semanas, uma série de ocorridos me fizeram parar um pouquinho e sentir o meu corpo de uma maneira diferente. Por um tempo ainda relutei tentando manter minha prática habitual, até que resolvi aceitar que, nesse momento, meus limites mudaram um pouco. Passei uma semana inteira praticando somente posturas restauradoras e nas duas aulas semanais que faço com meu professor, procurei respeitar o meu corpo mantendo permanências mais curtas e adaptando alguns ásanas.

No fim de semana, tive curso o dia todo no sábado e no domingo. Estava um pouco apreensiva sem saber como seria já que sabia que naquele momento meu corpo não era o mesmo. Mas as aulas fluiram otimamente, e me senti nova! Consegui fazer de tudo, com toda a energia. E tenho certeza que isso se deve ao fato de eu ter aceitado os meu estado momentâneo e ter me restaurado durante toda a semana.

Então, mais uma vez, observar-me, conhecer-me, e viver o presente, sem apego ao passado ou ao futuro, foi o melhor remédio.

Namaste!

18 de out de 2009



" Seu corpo existe no passado e sua mente existe no futuro. Com Yoga, eles se unem no presente"


B.K.S Iyengar

14 de out de 2009

O estudo do eu

Por Mariana Akamine

Observar-se, sempre. Observar-se durante uma prática de asanas, observar-se durante uma prática de pranayamas, observar-se durante o almoço. Observar-se durante uma conversa entre amigos, nos momentos de risadas, de choro, de raiva, e nos momentos neutros. Observar-se durante o namoro, a paquera, o sexo. Observar-se quando está assistindo a televisão ou lendo um livro. Quando está trabalhando e quando está de férias. Quando está na rua, em casa, no carro, na vida. Não observar-se de uma maneira racional, analítica, mas de maneira sensitiva, com o coração e sem apego. E assim, aprender com os erros e acertos, com as ações e reações. Conhecer-se.
Namaste!

9 de out de 2009

Estabilidade no Ásana

Por Fábio Faleiros


A primeira codificação escrita sobre o Yoga foi feita por Patanjali nos seus 196 sutras, conhecida também por Astanga-Yoga, ou o yoga das oito partes ou membros, sendo o asana uma dessas partes. Dentre esses 196 sutras, apenas 3 tratam diretamente sobre os asanas, por isso é importante conhecê-los, entendê-los e sempre usá-los como referência em nosso estudo e prática. Segundo Alicia Souto, da escola Kaivalyadhama de Lonavla, em sua tradução do Hatha Pradipika, a palavra asana deriva da raiz sânscrita “as” traduzida como sentar-se, sendo interpretada fisicamente como postura ou assento e metafisicamente, em muitos textos antigos, como “estabelecer-se no estado original”.
A definição de estabilidade vem do sutra II-46 “sthira-sukham asanan” que diz que a “postura deve ser estável e confortável”. Outros adjetivos citados no livro Luz na Vida, de B.K.S. Iyengar, para sthira são: firme, fixo, constante, resistente, duradouro, sereno, calmo e tranquilo; e para sukham são: deleite, conforto, alívio e beatitude.
Então a estabilidade começa na postura, no corpo físico, o que implica permanência na postura, ficar parado, e para isso ocorrer é necessário realizar a ação correta na construção e permanência do asana.
Segundo Iyengar, “o asana é a firmeza perfeita do corpo, a constância da inteligência e a benevolência. O asana é antes postura, depois permanência que envolve tempo parado na postura, depois reflexão, que envolve a inteligência reflexiva. Com isso se chega à ação correta. Inteligência é a percepção estendida a cada célula do corpo, percepção que começa no comando do cérebro para os órgãos da ação, e dos órgãos da ação para o cérebro, sobre o que eles percebem. O corpo que deve lhe dizer o que fazer, não o cérebro. O corpo como veículo de comunicação entre o externo e o interno. Em cada etapa do asana, é preciso saber qual deve ser a função ou estado de cada região e de cada parte do corpo, se ativa ou passiva, estável ou móvel.”
Através do processo voluntário na execução dos asanas e pranayamas, atua-se no sistema nervoso vegetativo. Quando se mantêm a atenção focalizada no asana e mantendo-a por um determinado tempo, ocorre a memorização daquela situação dentro do sistema nervoso. Assim, se reconstitui a alteração que se dá na fisiologia, o corpo pode corrigir, fazer alterações, e manter essas alterações. Então, o esforço para se manter numa determinada postura tende a ser cada vez menor, liberando a mente no caminho da introspecção. Esse esforço é caracterizado por envolver uma grande força de vontade e persistência nas práticas.
Iyengar diz: “o corpo, as células, já sabem se colocar corretamente, então pode se afastar do corpo, mesmo estando presente no mesmo. O esforço diminui à medida que progride, mas a realização aumenta”.
E nesse sentido tem-se o sutra II.47: “a permanência no asana deve ser feita através do relaxamento do esforço”. O corpo mantêm-se firme, porém relaxado. Do livro Árvore do Yoga: “a permanência na postura implica ação. Repousar significa refletir sobre a postura. A postura é pensada e reajustada, para que os vários membros e segmentos corporais sejam posicionados em seus devidos lugares na ordem certa, e a sensação seja de descanso e apaziguamento, enquanto a mente experimenta a tranqüilidade e a calma dos ossos, das articulações, dos músculos, das fibras e das células”.

Então a construção correta de um asana deve ser feita observando-se esses 2 sutras. Alguns passos nessa direção, do livro Luz na Vida:

1. corrigir-se primeiro na base, na parte mais próxima ao chão (raiz) e lembrar que a base firme, estável, relaxa a mente. Ao mesmo tempo, a serenidade do corpo, vem da tranqüilidade espiritual.
2. eliminar através da autoobservação, autopercepção, as tensões desnecessárias, as tensões não relacionadas diretamente à manutenção do asana.
3. não se fixar em quanto se quer alongar, mas em alongar-se corretamente. É o corpo que deve lhe dizer o que fazer, não o cérebro. Refletir entre um movimento e outro, mas deve haver uma análise constante durante toda a ação também. Enrijeça apenas quando atingiu a posição, porque durante o movimento os músculos devem estar abertos e flexíveis.
4. sentir a extensão até os limites da pele. Estender-se a partir do seu centro. Estender e expandir o corpo e ter a sensação de criar espaço em TODAS as direções.
5. observar as sensações, tanto de prazer quanto de dor. Com paciência e disciplina resistir no asana, ultrapassar a dor e lembrar que na postura correta não há dor. Desfrutar de cada pequeno progresso.
6. pense e sinta-se leve, transmitir a sensação de leveza para todo o corpo.
7. observar o que é um ego inflado (hiperextensão) ou um ego tímido ou medroso (extensão insuficiente) na execução dos asanas. Lembrar que o EU é o único espectador.
8. a estabilidade requer equilíbrio entre a ação e a resistência.
9. todos o s movimentos devem ser feitos na expiração, pois ela elimina o estresse e a tensão do corpo.
10. soltar o esforço e o retesamento dos músculos e transferir a carga para os ligamentos e as articulações, de modo que mantenham a estabilidade do asana.
11. relaxar a cabeça, o cérebro, a língua, a garganta, o pescoço. Relaxar o olhar e voltá-lo para trás, para dentro, ampliar a visão, ter uma visão periférica e interior. Isso ativa as regiões posteriores do cérebro, que são mais integrativas.
12. passar de um estado de concentração dividida entre as diversas partes do corpo, para um estado de concentração único, mesmo que superficial ainda.
13. a mente sentindo a inter-relação entre as partes do corpo, e se movimentando com o corpo todo, não mais com as partes separadamente.
14. a mente desaparece e a inteligência e o corpo se tornam um.
15. a inteligência apresenta o Eu, o corpo é esquecido, isso é estar liberto do corpo.

O corpo físico é fonte de perturbações da mente e a prática persistente e a permanência nos asanas traz saúde plena e libera a mente das perturbações do corpo, e ao mesmo tempo, é necessário um corpo saudável para lidar com a energia promovida pelas correntes prânicas. Mas tudo isso para que o corpo seja um veículo, não obstáculo, de comunicação de mão dupla, com o mais sutil, com o EU.
A estabilidade passa do corpo para outros aspectos, como a firmeza e estabilidade do caráter. Estabilidade no dia a dia, no ser, no agir. Integração entre o sentir, pensar e agir. Não analisar mais, não refletir mais, e estar livre do ataque dos opostos, das dualidades, como diz o sutra II.48.
A prática do Yoga é viver o estado de equilíbrio, é viver o presente: aqui e agora. “Viver no presente se vive na eternidade”, diz Iyengar.
Quando agimos com o Coração, obtemos plenitude naquilo que fazemos, porque nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque é movido pela lei natural da vida.



28 de set de 2009

Café com leite

Por Fabiana Acosta Antunes


Alguns acontecimentos colocam em cena pra nós a verdade por trás do nosso aparente entendimento das coisas... Como praticante de yoga (virginiana) há um ano e tendo recém-começado o curso de formação para professores de yoga, eis que passo por uma microcirurgia no antebraço direito e (no auge da prática diária de asanas) escuto da médica: “Você não vai poder alongar o braço por pelo menos 15 dias”. Eu: “E nem usá-lo como apoio, né?” (penso imediatamente na minha querida sirsasana, que tanto me amedronta e por quem eu tenho muito respeito). Ela: “Não, de jeito nenhum!”. Ok. Saio do consultório pensando nas posturas que posso fazer, penso nos pranayamas e na chance de poder meditar mais. Ok. Mas no fundo a sensação é de perda: “Puxa! Logo agora que tinha melhorado virabhadrasana II?!”

Ah! Então quer dizer que é tudo mentira que eu “sei” que praticar yoga não é somente praticar asanas?! Então quer dizer que estou praticando como se estivesse numa maratona, querendo bater algum recorde?! Pois é. A princípio me senti sendo café com leite sim, mas agora, 12 dias depois (ainda não completaram os 15 dias), tenho praticado restauradoras com mais vigor e menos pretensão. Hoje fiz a seguinte sequência:

Tadasana (postura da montanha) (2 minutos de permanência)
Urdhva Hastasana em Tadasana (postura da montanha com braços acima da cabeça) (2 minutos de permanência)
Supta Baddha Konasana com almofadão em baixo das costas (Postura Reclinada em Ângulo Fechado (3 minutos de permanência)
Niralamba Halasana com joelhos apoiados num banco (5 minutos de permanência)
Paschimottanasana com almofadão para apoiar a cabeça (5 minutos de permanência)
Upavista Konasana (2 minutos de permanência)
Baddhakonasana (5 minutos de permanência)
Savasana (10 minutos de permanência)

PS: Aceita-se sugestões de outras sequências!
Foto: BKS Iyengar em Baddha Konasana

27 de set de 2009

Ásanas para gestantes

Por Bia Cattoni



TRIKONASANA (figura 1)

Alivia a dor nas costas, melhora o alongamento da coluna como um todo, tonifica a região pélvica. Após o 5º, 6º mês é indicado que a gestante pratique perto de uma parede, utilizando um bloco ou uma cadeira.


BALASANA OU YOGA MUDRA EM VIRASANA (figura 2)

Alonga a coluna como um todo, alivia a dor nas costas quando a gestação já está avançada. Relaxa as pernas e melhora a abertura pélvica.



24 de set de 2009

Praticar ásanas e praticar yoga

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Por Mariana Akamine

É muito comum pessoas que não conhecem yoga acharem que praticar yoga é praticar ásanas. Muita gente que pratica também pensa assim. Isso porque os ásanas são a parte do yoga que chegou mais fortemente ao ocidente. E não foi à toa. O homem ocidental, cheio de vícios e problemas cotidianos, precisava de uma maneira prática e eficiente para conseguir melhorar sua saúde e acalmar sua mente. Se falarmos para alguém que nunca fez nenhum tipo de prática mais holística, nunca meditou na vida, para que ela se sente e medite, ela não conseguirá ficar nem 5 minutos. Primeiro, porque o corpo vai doer. Segundo, porque sua mente não pára, e ela está totalmente dominada por ela. Agora, se ela começar praticando àsanas, vai aos poucos conseguindo colocar a sua atenção em cada parte do corpo e no corpo como um todo, vai ganhando uma maior percepção e consciência de si mesma, e com tempo, vai conseguir um corpo menos tamásico (inerte), uma mente menos rajásica (movimentada), e chegará ao estado de sattva (equilibrio). Nesse momento, aquela pessoa estressada que você conheceu meses atrás será capaz de, sozinha, sentir vontade de sentar-se e meditar. Será capaz de agir com mais calma e tranquilidade na hora de tomar decisões, e se tornará uma praticante de yamas e nyamas não só durante a aula de yoga, mas no seu dia-a-dia. Será capaz até, de repente, de falar em um caminho espiritual.

Definitivamente, yoga não é o mesmo que ásanas. Esses são só uma parte, dentro de um universo enorme. Mas são uma parte extremamente importante, na minha opinião. São uma forma prática e eficiente de autoconhecimento, que leva à harmonia, pureza, contentamento, dedicação, disciplina, superação dos limites... e consequentemente, como disse Patanjali , ao controle, contenção, ou desapego, das flutuações da mente.

Se uma pessoa começa a praticar yoga somente como um exercício fisico, certamente estará usando uma parte muito pequena de um universo gigante. Mas isso não significa que devemos criticá-la, é possivel que com o tempo de prática, esse universo se abra para ela. E se simplesmente a rejeitarmos por suas ideias iniciais, não estaremos impedindo que muitas possibilidades se abram no futuro?

Namaste!!

16 de set de 2009

Yoga para gestantes




Por Bia Cattoni



O objetivo nas aulas para gestantes é preparar a futura mãe física e psicologicamente para que ela tenha uma gravidez plena e saudável e consequentemente um parto feliz e sem dor. Dissociar a idéia de dor ao parto que deve ser um momento único de celebração da vida.
Utilizando as técnicas de Yoga como os asanas (posturas), pranayamas (exercícios respiratórios), mantras, a gestante se prepara, adquire confiança e a tranqüilidade necessária para vivenciar essa etapa de plenitude e luz.

São inúmeros os benefícios:
· Melhora a elasticidade e tônus muscular de todo corpo, braços, pernas, região pélvica, que são tão importantes para gestante.
· Alivia os gases e prisão de ventre
· Melhora a circulação sanguinea, aliviando a dor nas pernas
· Maior consciência corporal
· Previne a dor nas costas, especialmente na região lombar.
· Trás uma sensação de paz e equilíbrio.

Então se você está grávida aproveite: consulte seu médico, procure um professor experiente e boa prática e um parto feliz!!!!!

15 de set de 2009

10 de set de 2009

Abaixo a reclamação!!!!!


Por Mariana Akamine


Hoje uma aluna minha finalmente conseguiu ir a aula de yoga, depois de dois dias (terça e quinta passadas) de chuva intensa que a impediu de sair de casa. Em vez de chegar feliz, por enfim poder fazer aula, chegou reclamando, brava, por ter perdido as anteriores. É uma tendência geral. Sempre estamos inclinados a ver as coisas pelo ângulo ruim. É como uma reação inconsciente que temos, sempre: reclamar virou algo normal, cotidiano e automático. É algo para se pensar, não acham? Por que reclamamos tanto? Reclamamos quando faz calor, reclamamos quando faz frio, reclamamos quando chove. Reclamamos quando temos que trabalhar, e também quando não temos trabalho. Reclamamos quando temos muito o que fazer no fim de semana, mas não fazer nada também não pode! A verdade é que já estamos programados a reclamar. E com isso estamos sempre insatisfeitos, e consequentemente, infelizes.

Outro dia ouvi de uma pessoa que ela fez o seguinte combinado com uma amiga: Elas ficariam uma semana inteira sem reclamar de absolutamente nada. O resultado? Nem meia hora elas conseguiram! Mas a experiência valeu para elas perceberem o quanto estavam rabugentas. Porque, pelo menos no primeiro dia, cada vez que elas reclamavam de algo, acendia uma luzinha vermelha na mente delas que dizia: "ops! de novo!!"

Mas bem, voltando a minha aluna de hoje, quando eu disse à ela que deveria ficar contente por ter conseguido chegar, ela me falou: "Poliana, é ?". Minha resposta foi: " Poliana, não, praticante de yoga! Isso é santosha (contentamento)." Santosha é um dos cinco nyamas do astanga yoga de Patanjali. Segundo os yoga sutras, faz parte do caminho do yoga praticar o contentamento. Ele é fundamental para que se possa manter uma mente harmônica, estável. É o início do caminho do yoga. Sem ele, não chegamos a lugar nenhum. A prática de ásanas, pranayamas e meditação nos leva a esse estado de santosha. Mas, por outro lado, de nada serve se não tomamos consciência de que devemos, durante a prática, cultivar o contentamento. Durante a permanência em um ásana, por exemplo, podemos reclamar das dores, desconfortos e do tempo que "esse louco desse professor quer que a gente fique", ou podemos usar esse tempo e esse desconforto para conhecermos melhor o nosso corpo e a nós mesmos. É tudo uma questão de ponto de vista.

Então aqui vai o meu desafio: Vamos experimentar ficar um dia inteirinho, 24 horas, sem reclamar de nada? Nada, nadinha: nem do trânsito, nem do barulho, nem de nada! Quem fizer a experiência me conta depois como foi. Eu vou começar agora.

Namaste!

Utthita Parsvakonasana

por Bia Cattoni


UTTHITA – alongado, estendido
PARSVA – lado
KONA – ângulo

Benefícios: Melhora a capacidade pulmonar, tonifica os músculos do coração, tonifica tornozelos, joelhos e coxas, reduz a gordura da cintura e dos quadris.

Cuidados: hipertensos devem evitar esse asana; pessoas com espondilose cervical não devem virar o pescoço nem olhar para cima.

Fontes:

Posturas Principais B.K.S. Iyengar – Editora Cores e Letras

A Luz da Yoga – B.K.S. Iyengar – Editora Cultrix

1 de set de 2009

28 de ago de 2009

Salamba Sirshasana



Por Bia Cattoni


Salamba significa apoiado.
Sirsha significa cabeça.

Nos antigos e sagrados textos do Yoga esta postura é chamada de o “Rei” das posturas e não é difícil imaiginar o porque. Quando nascemos na maioria das vezes, nossa cabeça desce antes do restante do nosso corpo. O crânio envolve nosso cérebro que controla o
sistema nervoso e os orgãos dos sentidos. O cérebro é o alicerce da inteligência, do conhecimento, do dicernimento, dos desejos e do poder. É o alicerce de Brahman, a alma. Um país não pode prosperar sem um Rei ou um líder para guiá-lo, assim como o corpo humano não prospera sem um cérebro saudável.

Benefícios: A prática regular de Sirshasana
faz com que o sangue saudável e puro irrigue as células do cérebro. Melhora a memória, a insônia, alivia sintomas de resfriados e tosse.
A prática regular e precisa de Salamba Sirshasana desenvolve o corpo, disciplina a mente e amplia os horizontes do Espírito.

Cuidados: Não praticar durante o período menstrual. Pessoas que sofrem de problemas cardíacos, hipertenção ou pressão baixa devem praticar sob supervisão de um professor experiente.


Fonte: Light on Yoga – B.K.S. Iyengar - Editora Harper Collins

27 de ago de 2009

Aprender a aprender

Por Mariana Akamine

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Já ouvi algumas vezes do meu professor a história de um homem que foi até um conhecido guru, afim de aprender toda a sua sabedoria, mas não podia porque não conseguia se desfazer de seus conhecimentos anteriores. Não sou muito boa para lembrar as histórias, mas a conclusão final era mais ou menos a seguinte: Se você já chega para aprender algo cheio de ideias preconcebidas, expectativas e sua experiência anterior enraizada, é como uma xícara cheia de chá até a boca. Qualquer coisa que qualquer pessoa tente te ensinar, transbordará. Para que se possa aprender algo novo, é preciso esvaziar a xícara. É preciso abrir espaço na mente e no coração para que o novo entre.

É muito comum que um aluno iniciante chegue a uma aula de yoga como uma xícara cheia. E o nosso ego tem muito medo de esvaziá-la, pois isso seria abrir mão do conhecido, onde já se permanece numa zona de conforto, para algo que ele não sabe o que é. Além disso, o mundo atual nos ensinou que devemos ser críticos. Sim, não digo que devemos aceitar tudo passivamente sem refletir sobre, mas toda crítica deve ser feita com coerencia e coração aberto, senão ela nos limita. Toda crítica é valida se for feita com a xícara vazia.

O Yoga é uma filosofia milenar que chegou faz pouco tempo no ocidente, e muita coisa é muito diferente do que aprendemos no decorrer de nossas vidas. Precisamos estar abertos para compreender uma forma de pensar tão diferente da que nos foi ensinada. A prática de yoga mexe com questões muito profundas do nosso ser, muitas vezes inconcientemente, e precisamos estar abertos para aceitar sensações novas e transformações que possam ocorrer. Dessa forma, ela só trará benefícios.

Para qualquer coisa, seja numa aula de yoga, numa pós-graduação ou numa conversa entre amigos, precisamos aprender a aprender. Precisamos aprender a esvaziar a xícara para que o novo possa entrar. Depois, se ele não nos servir, não tem problema. Mas só saberemos que ele não nos serve se permitirmos, antes, que ele entre.

Namastê!!

24 de ago de 2009

Os Chakras



Por Bia Cattoni


É fundamental que os praticantes de yoga entendam um pouco sobre os chakras. Chakra significa roda. São 7 os principais chakras e cada um corresponde à uma função específica do corpo físico e da mente. Eles são responsáveis pela circulação do prana – a energia vital do nosso corpo físico, estão interligados através dos Nadis que são os canais por onde circula o prana. Os ásanas e pranayamas ativam os nadis e os chakras. Sempre que acontecer algum desequilíbrio, mudanças em nossas vidas, em nosso ser, há uma alteração no fluxo de energia dos chakras e de nossos corpos (nosso corpo físico, nosso corpo mental e nosso corpo espiritual). Os asanas e pranayamas distribuem e regulam a nossa energia, nossa paz, nosso equilíbrio, nosso autoconheciento.


Cada um dos chakras tem um desenho, uma cor, um número de pétalas diferentes dos outros, os que os faz únicos em sua apresentação.


MULADHARA CHAKRA

"Mula" quer dizer raiz e "Adhara" apoio, está localizado na região do períneo.
Sua cor é o vermelho, possui quatro pétalas com um quadrado no centro. Está relacionado com o elemento terra, tem um elefante no centro do quadrado representando força e estabilidade.


SWADHISTHANA CHAKRA

"Sva"significa própria e "Adhisthana" significa base, está localizado na região dos órgãos genitais, seu elemento é a água, tem 6 pétalas. Sua cor é o rosa intenso e tem o um crocodilo que representa a fertilidade.


MANIPURA CHAKRA


"Mani" significa jóia e "pura" cidade. Sua localização é logo acima do umbigo, está relacionado com o elemento fogo. Tem 10 pétalas, sua cor é o amarelo intenso e tem um carneiro no centro circulo.


ANAHATHA CHAKRA

Anahatha significa intocável, é o chakra localizado no coração. Tem como elemento o ar. Possui 12 pétalas suas cores são o azul e o verde. Tem um antílope representando agilidade. É o chakra do amor.


VISUDDHI CHACRA

"Visuddhi" significa pureza, está localizado na garganta, de cor violeta; tem um elefante branco significando potencialidade pura. Tem 16 pétalas e um circulo no centro. Seu elemento é o éter.


AJÑA

"Ajña" significa comando. Esta localizado no cérebro, entre as sombrancelhas, significa a consciência. Sua cor é branco e cinza, tem 2 pétalas. É também chamado de guru-chakra.


SAHASHARA

"Sahasra" siginifica mil e "ara" pétalas. Está localizado no topo da cabeça. Tem uma lótus de mil pétalas, com o símbolo de Shiva ao centro. Representa a realização entre o homem e seu ideal divino.

23 de ago de 2009

Ganhamos um presente!!!

Minha amiga Carolina Kimie, também professora de yoga, acaba de voltar de uma viagem de 5 meses na India e nos presenteou com lindas fotos, que vou postar aqui aos poucos.

Vou começar pelo primeiro lugar que ela visitou, a cidade de Puna, onde fica o instituto do nosso mestre BKS Iyengar.

Boa viagem!!!

Namaste!

India

por Carolina Kimie





20 de ago de 2009

Utthita Trikonasana

Por Mariana Akamine




São muitos os benefícios desse ásana, muito comum na maioria das aulas de hatha yoga: alivia gastrite, indigestão, acidez e flatulência. Melhora a flexibilidade da coluna, alivia dores das costas e corrige o alinhamento dos ombros. Massageia e tonifica a pelve, alonga os tornozelos e diminui o desconforto durante a menstruação.
Como faz tempo que não coloco nenhum ásana por aqui, é sempre bom lembrar que orientação de um professor é necessária, para que você possa permanecer no asana com as ações corretas, sem se machucar.
Namastê!!


Fonte: "Yoga: the path to holistic health" - BKS Iyengar

17 de ago de 2009

Palavras de um iniciante em suas primeiras aulas

Esse texto estava no blog "hoje que tal?", do meu amigo e aluno Roberto Mellão. Gostei tanto que pedi autorização para colocá-lo aqui, pois é sempre interessante a gente compartilhar essas experiências. Acabei de reler o texto e me veio uma frase simples e importantíssima, que muita gente desconhece: Yoga é para todos!!!! Desfrutem:

Muitos que lerem esse post, principalmente homens, pelo menos eu pensava assim, pensarão: "Yoga é coisa de mulher". Mas após fazer algumas aulas, percebi o quão difícil é, e quanta persistência é preciso, para conseguir ficar em determinadas posições. E para quem pensa que é só um mero alongamento, está muito enganado; trabalha com todos os músculos do corpo, concentração, postura e equilíbrio.
Imaginem: um homem durão fazendo sua primeira aula de Yoga, ele começa a meditar no inicio da aula um mantra que a principio é engraçado, todos na aula estão muito concentrados. Logo em seguida começam as posições, a primeira mais simples de equilíbrio, ele já não consegue, a pessoa ao seu lado faz com tamanha facilidade que ele fica espantado. No meio da aula, ele percebe que está mais suado que o restante da sala, estranho, pensa. Na posição seguinte tenta olhar para o rosto dos colegas de sala e percebe que todos passam um semblante de paz, enquanto ele, de extremo esforço. A aula acaba, ele quase morto e todos leves e tranqüilos. Reflete com ele mesmo; "Isso não é possível, voltarei nas próximas aulas, essas pessoas não são normais, como elas conseguem?" E é o que acontece, passa um mês, dois meses, ele está mais tranqüilo, sua postura melhorou, percebe até que ganhou uns músculos, no meio das posturas olha para o lado e até sorri para os colegas.
Essa história foi apenas para ilustrar a experiência de alguém com essa prática milenar que rompeu suas próprias barreiras. Agora, se você anda estressado, irritado, arrume um tempinho, não precisa ser Yoga, faça um exercício, atividades de lazer, cuide do seu corpo e da sua mente, você merece.
Ps. Esse não é um blog de alto ajuda, mas vale a dica!


Roberto Mellão

14 de ago de 2009

As Glândulas e as emoções - parte 2

CHAKRA

GLÂNDULAS

LOCALIZAÇÃO

N° DE PÉTALAS

Muládhara

Gônadas (ovários ou testículos)

Base da coluna

4

Swadhistana

Gônadas (ovários ou testículos)

Raiz do pênis ou entre os ovários

6

Manipura

Supra-renais e pâncreas

Umbigo

10

Anáhata

Timo

Centro do tórax

12

Vishuddha

Tireóide e paratireóide

Centro da garganta

16

Ajiná

Pituitária

Entre as sobrancelhas

2

Sahasrára

Pineal

Topo da cabeça

1000*

*1000 pétalas referentes aos quatro chakras superiores.

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por Luiz Turisco
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Segundo os yoguis tântricos, essas 50 pétalas são vórtices de energia psíquica denominada vrttis (aquilo que gira).
Cada um deles foram codificados e sistematizados séculos antes de Cristo, na Índia, por um mestre chamado Ashtavakra, que nasceu deformado (ashta = oito, vakra = dobras).
Quando um vrtti é ativado, é como se fosse uma mola solta fora do lugar e o chakra se torna desequilibrado. Esse desequilíbrio estimula ou inibe a secreção da glândula endócrina, causando uma super ou uma sub-secreção de hormônios, ativando uma determinada resposta emocional e física. Essa descoberta dos mestres guarda a chave de muitos mistérios sobre a ligação entre psique e soma. “Qual é o misterioso mecanismo pelo qual a Fé cura e o ódio adoece?”. Talvez as tradições espirituais do oriente ajudem à ciência ocidental a emergir desse seu paradigma mecanicista.
Por exemplo, o vrtti da falta de autoconfiança, no segundo chakra, for super estimulado, a pessoa desenvolverá complexo de inferioridade. O vrtti do ódio, no terceiro chakra, for super estimulado, a pessoa se sentirá cheia de hostilidade.
O nosso equilíbrio emocional depende não somente de uma regulada secreção das glândulas endócrinas, mas também da harmonia vibracional dos chakras, que são a fonte de todas as expressões psíquicas. Quando o fluxo vibratório dos subvótices fica distorcido, ocorre desequilíbrio endócrino e distúrbio emocional. Quando as freqüências do chakra estão em equilíbrio, seu formato e sua cor são claros e vibrantes.
Desse modo distúrbios mentais e complexos emocionais podem ser erradicados pela raiz, e permanentemente curados. A solução está em nossas mãos.


ÁSANAS – POSTURAS DE YOGA

Essa inter-relação foi detectada há muito tempo pelos yoguis, que desenvolveram um sistema de exercícios que exercem pressão sobre as diversas glândulas endócrinas. Há milhares de anos, nas antigas florestas da Índia e da China, os yoguis dedicaram suas vidas ao estudo do domínio do corpo e da mente. Eles observaram cuidadosamente o modo de vida dos animais que viviam em seu ambiente – como eles descansavam e como se curavam instintivamente. Ao experimentarem as diferentes posturas dos animais, esses yoguis perceberam o efeito sutil de tais movimentos em seus órgãos e glândulas. Após milhares de anos de experiência, essas posturas foram aprimoradas e passaram a constituir um sistema cientifico composto por milhares de exercícios chamados ásanas. Os nomes dos ásanas são significativos e ilustram o princípio da evolução. Algumas são denominadas de acordo com a vegetação, como a árvore (vrksha) e o lótus (padma), algumas de acordo com nomes de insetos como o gafanhoto (salabha), de animais aquáticos como o peixe (matsya), aves como o pavão (mayura), quadrúpedes como o cão (svana), não esquecendo nem mesmo das criaturas rastejantes como a serpente (bhujanga).
A pressão sutil da postura de yoga, mantida estática por pouco tempo, restabelece o nível correto de secreção dos hormônios, resultando em equilíbrio emocional e, consequentemente, em saúde física e mental.
A prática dos ásanas traz estabilidade, saúde e leveza ao corpo. Uma posição estável e agradável produz o equilíbrio mental e evita a dispersão. Os ásanas não são meros exercícios de ginástica, são posturas. Desenvolveram-se ao longo dos séculos de modo a exercitar cada músculo, nervo e glândula do corpo. Garantem um físico harmonioso, forte e elástico mantendo-o livre de doenças. Reduzem a fadiga e acalmam os nervos. Mas sua real importância está na maneira pela qual treinam e disciplinam a mente.

11 de ago de 2009

As glândulas e as emoções - Parte 1

Por Luiz Turisco


Todos nós expressamos nossas emoções fazendo referência ao corpo. Quando estamos tristes, dizemos: “Estou com um nó na garganta!”, quando sentimos medo: “Sinto um frio na barriga”, com raiva: “Meu sangue está fervendo!”, desapontados: “Meu coração está partido!”.
Dr. Harold Streitfield

Essa interdependência sutil entre a mente e o corpo é intermediada pelas glândulas endócrinas, que regem a sinfonia complexa do corpo, lançando a química hormonal na corrente sanguínea. Esses hormônios têm um intenso efeito, não só nas principais funções do corpo como o crescimento, a digestão, a queima de energia, a temperatura do corpo, a sexualidade, etc. como também na mente.
A produção de hormônios tem de fato, um profundo efeito no estado de espírito, no temperamento e na eficiência mental. As situações de hiper ou hiposecreção (acima ou abaixo do normal) das glândulas podem causar distúrbios emocionais e mentais que abalam a saúde e a paz de espírito. A hipersecreção da tiroxina, pela tireóide, por exemplo, torna a pessoa nervosa e irritadiça. As mulheres demonstram acentuado otimismo e maior autoconfiança no período de ovulação, quando o estrogênio e a progesterona alcançam elevado índice de produção, mas se tornam extremamente ansiosas ou hostis quando os níveis desses hormônios caem, durante os períodos pré-menstrual e menstrual.



O ESTRESSE E AS GLÂNDULAS SUPRA-RENAIS

Os efeitos, no corpo e na mente, das sensações estressantes estão sendo agora estudados cuidadosamente pelos cientistas, tendo em conta que cada vez mais pessoas, em todo o mundo, adoecem devido ao estresse. Numa situação de estresse, as glândulas supra-renais automaticamente segregam adrenalina e a cortisona, hormônios que ativam todos os órgãos do corpo, preparando-o para situações extremas: lutar ou fugir. Essa resposta instintiva é um legado de nossos antepassados primitivos. Quando nossos ancestrais tinham que enfrentar situações de perigo, eles reagiam com intenso esforço físico até solucionar o confronto, fosse fugindo rapidamente dos predadores, fosse liquidando o inimigo. Mas atualmente os seres humanos não podem correr para longe dos inimigos nem tão pouco podem combatê-lo fisicamente, sujeitando-se a um constante e árduo estresse, ao qual não podem responder com atividade física.
O funcionário que frequentemente é cobrado por seus superiores hierárquicos, o estudante que sofre tremenda pressão de trabalhos e provas, a dona de casa atormentada com os afazeres do dia a dia, todos acumulam intensa pressão interna. Certas emoções, como a raiva, emitem ondas conflitantes para o sistema nervoso, tornando os músculos tensos, a respiração irregular e os punhos cerrados. A pressão sanguínea aumenta, o coração fica acelerado e a digestão se torna mais difícil. E mesmo que a pessoa esteja preparada para reagir com força e vigor, ela não poderá dissipar essa tensão fazendo esforço físico dando pancadas na cabeça do agressor ou fugir, então, essa tensão é normalmente acumulada internamente. As glândulas supra-renais super estimuladas mantêm o corpo e a mente num contínuo estado de alerta e tensão interna e, como resultado, ocorrem estados de melancolia, depressão, neurose e ansiedade, atingindo inclusive os estudantes. Esse estresse prolongado enfraquece o sistema imunológico, diminuindo a resistência às infecções, e frequentemente acarreta vários distúrbios, como a hipertensão, as doenças cardíacas, os problemas intestinais, a úlcera estomacal, a asma, a enxaqueca, a artrite e até mesmo o câncer. Foi constatado que os remédios controladores da tensão têm efeitos colaterais perigosos. Para aliviar o desgaste da tensão interna, precisamos aprender a relaxar.

10 de ago de 2009

Conhecer o desconhecido

Por Mariana Akamine


"Abandone seu apego ao conhecido, penetre no desconhecido e vivencie toda a alegria, mistério e magia do que pode acontecer no campo de todas as possibilidades."


Deepak Chopra - " As sete leis espirituais do sucesso"


A prática de ásanas é um bom caminho para penetrar no desconhecido. Os ásanas fazem com que nossa atenção fique no presente, e torna possivel a observação de sensações até então desconhecidas. Desde uma postura mais simples até em algo mais complexo isso é possivel. E quando não fugimos dessas sensação, mas sim reconhecemos, observamos e aceitamos, muitas possibilidades se abrem. Durante a prática de ásanas não só o corpo fisico é trabalhado, mas também camadas energéticas muito profundas, que trazem à tona sensações muitas vezes boas, outras nem tanto, geradas através das marcas e impressões inconscientes, fixadas em nosso corpo há muito tempo. Essas impressões são chamadas samskaras. Por isso muitas vezes um asana que é simples para alguns pode ser bem complexo para outros, independente de força ou flexibilidade. A sugestão é: sempre respeitando (mas evoluindo com) os limites do seu corpo, esteja aberto ao desconhecido. Experimente, arrisque-se! É disso que se trata o yoga: ultrapassar os bloqueios da mente, nesse caso, através do seu corpo.


Namaste!

7 de ago de 2009

Os curiosos efeitos do yoga

Por Fabiana Acosta Antunes


Virabhadrasana II ou Postura do Guerreiro II

Esta postura nunca foi das minhas "mais queridas" e sempre que praticava permanecia nela durante dez respirações torcendo pra acabar logo e quando acabava (ufa!) dava graças a deus e me sentia cumprindo uma obrigação. A prática regular mudou alguma coisa além do natural fortalecimento das pernas: não sei o que houve, agora sinto necessidade de ficar e ficar e ficar nesta postura... Não se trata de "condicionamento físico", em que naturalmente o corpo responde de outro jeito e aquilo se torna menos difícil para ele... Tampouco posso dizer que o desconforto se transformou em conforto... É algo mais parecido com necessidade. O corpo precisa ficar ali, naquela postura, então ele simplesmente fica, sem lamentações...

Pois é, o Algo sobre yoga está de volta!! Novo visual, e novas ideias.


A novidade principal é que de agora em diante, eu não serei a única a escrever para esse blog. Ele continua sendo meu, mas convidei alguns amigos, professores e praticantes de yoga, para participarem. A ideia é criar uma dinâmica maior, e fazer com que o blog deixe de ser " da Mariana" para ser "de yoga". Acho praticamente impossível não escrever sobre as minhas experiências quando me vem um tema à cabeça. Afinal, toda teoria é valida, mas yoga é prática. Sem a prática contínua e determinada, não só de asanas, mas de todo esse universo gigante que engloba essa filosofia (yamas, nyamas,asanas, pranayamas...), não serve de nada conhecer toda a teoria. Por isso sempre gostei de falar de mim, do que eu vejo e sinto, do que eu pratico. Porém, comecei a perceber que com o tempo o blog estava ficando pessoal demais. E resolvi então chamar essas pessoas para dividirem com a gente suas experiências e seus conhecimentos. Já tenho dois textos para colocar aqui para vcs, fora as muitas idéias que já estão saltitando pela minha mente!Espero que vcs gostem!!


Namaste!

5 de ago de 2009

De volta!!

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Como nós mulheres, sempre que passamos por um momento de transformação, gostamos de transformar também o visual, o blog está voltando de cara nova!! Ainda estão faltando algumas coisinhas, e logo mais eu volta a escrever, com algumas novidades...

Namaste!

30 de jun de 2009


Apesar da pausa, recebi esse selinho da Adriana, do blog Bem Bom, e não podia deixar de colocá-lo aqui e agradecer a Adriana pelo carinho!!! Obrigada!!!

Quem ganha o selinho deve:

-Fazer a referência ao selo e publicá-lo;
- Divulgar as regras;
- Partilhar cinco coisas que gostamos de fazer;
- Indicar 10 blogs a quem se envia o selo;
- Informar cada um dos blogs.

Aqui está:

Cinco coisas que eu gosto de fazer (só cinco???):

-praticar ásanas, pranayamas e meditação
-dar aulas de yoga!!!!
-ir ao cinema
-comer fora (de preferencia em restaurantes vegetarianos!!)
-tocar piano

Alguns blogs (não conheço 10...):
-Bem Bom (talvez eu não possa mandar o selinho de volta, mas como não tenho tantos blogs para indicar, vou me dar o direito!)
- Tudo de Om
-Coisas de frozina
-Prato de Papel
-Cantinho Vegetariano
-Cinema na mesa
-Hoje que tal?
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Namaste!!!








29 de jun de 2009

Pausa para reflexão


O blog "Algo sobre yoga" está agora oficialmente de férias por tempo indeterminado.

Ando um pouco insatisfeita com ele, e em respeito ás pessoas que o acessam, vou fazer uma pausa para pensar em que posso fazer para melhorá-lo. Tudo na vida passa constantemente por transformações, e o blog tem tomado um rumo próprio que não é exatamente o que eu buscava. Percebi então que ele deve passar por uma transformação um pouco maior e mais consciente.

Apesar de esse post estar um tanto enigmático (não há outra maneira no momento, por isso a pausa!), aceito sugestões para o novo "algo sobre yoga" que virá logo mais!!

Continuarei respondendo aos comentários ou aos emails que os leitores me mandarem, certo?

Boa prática a todos!

namaste!!

23 de jun de 2009

Para refletir e praticar...

Essa semana escutei essa frase, que me chamou muito a atenção por ser tão simples, profunda e verdadeira:

"Você é um ser único e especial...

...Assim como todos os outros."

Namaste!

2 de jun de 2009

Pessoas aflitas

"As aflições são um determinado padrão de perturbação da consciência humana, tão universais e presentes quanto mosquinhas em maçãs frescas."

Não resisti em colocar essa frase do Iyengar, a forma como ele começa seu capítulo sobre os Klesas (aflições) no livro "Luz na vida". Porque , para começar a falar sobre esse tema, queria primeiro desmistificá-lo. Sim, todos passamos por isso, constantemente. E isso não é um defeito, mas um padrão natural. Agora, vamos ao assunto:

Os Klesas são as aflições da mente humana, que manifestamos através pensamentos, reações ou padrões de comportamento. Estão presentes de diversas formas, em menor ou maior proporção, no decorrer de nossa vida, e são grandes obstáculos pois nos fazem agir de maneira repetitiva e egóica e, claramente, nos levam ao sofrimento. São eles: avidya (ignorância), asmita (orgulho), raga (apego), dvesa(aversão) e abhinivesa (medo da morte).

O primeiro, Avidya, é o precursor de todos os outros. Ignorância no sentido de ignorar a verdade, ou ignorar o que é permanente e o que é efêmero. Por conta da ignorância, sentimos orgulho de tudo que é nosso. MEU. Minha ideia, minha maneira de pensar, meus filhos, meus amigos, meus bens materiais... EU sou assim, eu tenho essa maneira de agir... É o segundo klesa, asmita. A tradução para asmita é "identidade do eu". Porém, esse eu, na verdade, é o ego, e não e nosso eu mais profundo, A Ignorância nos faz confundir os dois e dar para o eu egóico uma importância extrema, uma maneira de nos protegermos do resto do mundo. "Eu sou mais eu", ou eu sou mais bonito, mais inteligente, mais (!!!) evoluído espiritualmente...

E com esse grande apego à nossa pessoa, chegamos ao terceiro klesa, Raga, que podemos chamar de apego, ou desejo. Minha ideia inicial era escrever somente sobre essa aflição, então vou me focar nela por mais tempo. Nos apegamos a tudo que o nosso orgulho e a nossa ignorância afirmam ser nosso: carros, roupas, livros, marido, namorado, amigos, familia... E isso significa que temos um grande medo de perdê-los. Nos apegamos também a ideias e sensações. Por ideais e em busca de sensações de poder, ou por medo de perdê-los, aconteceram tantas guerras no mundo. Acontecem tantas guerras todos os dias, dentro de nós. Por apego à quem somos, ou o que acreditamos ser. Se tivessemos realmente claro em nossa mente que tudo é efêmero, não teríamos tanto medo de perder entes queridos, por exemplo, pois saberíamos que a única coisa que não morre é a alma. Mas o apego está presente em situações muito mais cotidianas. Para os praticantes de hatha yoga, por exemplo, podemos nos apegar à uma sensação boa que conquistamos durante um ásana. "Hoje eu vou fazer um sirshasana incrível como o da semana passada. Foi delicioso, fiquei imóvel por cinco minutos, e era capaz de sentir cada pedaço de pele, totalmente presente". Pronto, é o apego falando mais alto. Você não está presente, e seguramente o ásana hoje não será o mesmo. Bem, a verdade é que nunca é. O problema é que o apego por experiências passadas gera frustrações e sofrimento. Eu mesma, quando escrevi há uns meses sobre a iluminação, assumi que sou completamente apegada a determinadas sensações.

O quarto klesa é um irmão bem próximo do apego, mas com características opostas: é a aversão, ou dvesa. Raga diz: "Eu quero isso, eu não quero perder aquilo". Dvesa diz: "Mantenha isso bem longe de mim!!" "Não quero sentir isso, não quero ter que passar por essa situação, detesto esse lugar, odeio aquela pessoa!!!" Mas uma vez, é a ignorância falando mais alto. Afinal, se somos todos a mesma essência, não deveríamos odiar um ao outro. Se sabemos que o ego é algo superficial, porque ficar tão ofendido com uma ideia oposta à nossa?Se sabemos que estamos em constante transformação e aprendizado, porque ter aversão à sentimentos como rejeição, solidão, derrota? Somente a aversão ao sentimento de rejeição já daria tema pra um texto inteiro, e já falei sobre isso algumas vezes por aqui.

Por fim, ó quinto e último klesa é abhinivesa, ou medo da morte. Da mesma forma que a ignorância é a mãe de todos os klesas, o medo da morte é o filho caçula, que foi criado a partir de todos os outros. Nossa identificação com o nosso ego, nosso apego à ele e nossa aversão ao desconhecido faz com que tenhamos medo de morrer. Tudo isso, porque ignoramos o que é verdadeiro.

Nesse mesmo texto, Iyengar sugere a meditação (dhyana) como a maneira de trabalharmos as nossa aflições. Aquietar a mente faz com que tenhamos uma visão mais clara da realidade. E para chegar lá, passamos por todas as outras etapas no caminho do yoga: yamas, nyamas, ásanas, pranayamas, pratyahara, dharana... É um longo caminho... Quem topa embarcar nele?

Namaste!

25 de mai de 2009

A importância de olhar com novos olhos


Ontem fui ao Masp (Museu de arte de São Paulo), ver a exposição do artista brasileiro Vik Muniz, reconhecido em várias partes do mundo. A exposição é linda e o trabalho dele é incrível. Recomendo. Mas o que me fez resolver escrever sobre ele aqui no blog foi a capacidade de transformar tudo em arte, em poesia. Ele faz arte com lixo, papel, arame, chocolate, macarrão... A capacidade de ver significado em algo que para a maioria é somente um simples objeto funcional, uma comida, etc, me tocou muito. E na minha opinião é bem yogue. Porque estamos todo o tempo em contato com milhões de coisas que passam rapidamente pelos nossos olhos sem serem notadas, sem serem valorizadas. E o yoga nos ensina a perceber o presente, a perceber o detalhe, a trabalhar no micro para chegar ao macro. Quando estamos presentes, somos capazes de olhar para coisas que geralmente são ignoradas no nosso dia-dia e essa é uma experiência transformadora. Temos que aprender a olhar as coisas com novos olhos.


Mais info:


Namaste!

19 de mai de 2009

Você já sorriu hoje?



Dando uma folheada em uma Prana Yoga antiga, encontrei essa frase:


"Não sorrir é como se esquecer de molhar as plantas"

Philippe Lechermeier



Namaste!

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Pazes com a perfeição

Sempre tive uma relação bem típica com a perfeição. Desde que me lembro, sempre fiz questão de fazer tudo perfeito. Não há nenhum virgem forte no meu mapa astral (imagina se houvesse!), mas tudo que eu fiz sempre teve que ser impecável. E isso faz a gente sofrer, porque sabemos que ninguem é perfeito. Mas, na prática, o buraco é sempre mais embaixo.

Aí entramos novamente em um tema que já foi falado aqui, sobre a importância da opinião alheia. Porque afinal de contas, queremos ser perfeitos pra quem? Pra nós mesmos? Pode ser... Mas o que faz a gente acreditar que o que fizemos foi perfeito? A nossa intuição? A nossa sensação? Ou o que dizem os outros? Pois é...Só acreditamos que realmente o que fazemos é bom, quando ouvimos isso de outra pessoa. É a boa e velha necessidade de reconhecimento. É o ego sendo alimentado. Só para isso queremos ser perfeitos.

Nesse fim de semana passei por uma experiência interessante sobre esse tema. Neste semestre, no curso de formação que faço, tivemos que escolher um tema dentro de uma lista e preparar uma palestra de 5 minutos sobre ele. Depois da palestra, vários temas são avaliados, como presença, dicção, conteúdo, domínio do tempo,etc. Domingo passado foi a minha vez de apresentar, e na hora do feed back (feito pelos professores e pelos colegas), fui extremamente elogiada. Segundo muitos deles, estava tudo perfeito. Claro que fiquei muito feliz ouvindo tudo aquilo, meu ego estava contentíssimo. E o melhor é que eu nem tinha me esforçado muito pra isso. Na hora de falar sobre o que poderia ser melhorado, ninguem falou nada. Alguns segundos ou minutos de silêncio, que para mim pareceram uma eternidade. Olhava nos olhos de cada um dos meus companheiros de aula, pedindo que dissessem algo, e o silêncio permanecia. Comecei a procurar os olhares com quem tinha um pouco mais de intimidade, e nada. Fui então aos mais críticos, como meu professor, e ainda assim continuou o silêncio, no máximo vinha alguma hora um outro elogio, mas a sensação de "ego contente" foi se desvanescendo e comecei a me sentir totalmente desamparada. Eu precisava da crítica. Eu precisava ter algo para melhorar. Todo mundo tem, ninguém é perfeito! De repente, uma aluna resolveu falar. Ufa! Foi ótimo ouvi-la. E falou exatamente o que eu deveria buscar por já ter uma facilidade de falar em público. Foi ótimo, e estimulou meu professor a falar mais. Pronto. Já não estava mais desamparada. Eu realmente não era perfeita. Que sensação deliciosa!

Cheguei em casa refletindo muito sobre isso, e pensando como somos todos tolos, nós perfeccionistas. Porque quando alguém diz que o que fizemos é perfeito, isso pode até nos enaltecer por uns minutos, mas a verdade é que sabemos que não é real. Que estamos nesse mundo para aprender através dos nossos erros, e então se não tivermos nada para melhorar, a vida deixa de fazer sentido. Estamos em constante aprendizado, em constante transformação, em constantes erros e acertos. Essa é a graça da vida, e no final da história, a unica coisa que vale a pena é vivermos cada minuto como uma experiência nova.

Namaste!

5 de mai de 2009

o mantra OM


Todos os dias, em muitas aulas de yoga, cantamos três vezes o mantra OM. O hatha yoga está tão difundido no ocidente, são tantas e tantas as pessoas que o praticam, que muitas vezes acabam fazendo as coisas por fazer, porque os outros o fazem, sem consciência. O OM é um bom exemplo disso. O mantra OM é o mantra mais importante dentro da filosofia indiana, e também o mais conhecido dentro e fora da Índia. Vou tentar colocar aqui uma explicação bem simples, para que mesmo uma pessoa mais leiga possa compreender e praticar o seu significado.


São muitas as interpretações sobre o mantra OM, que, na minha opinião, levam a uma mesma essência. Muitas vezes ouvimos dizer que o OM é o som universal. Gosto de ilustrar essa ideia da seguinte maneira: assim como o branco é o princípio ou a mistura de todas as cores, o Om é o princípio ou a mistura de todos os sons. Assim, cantando o Mantra, entramos em contato com todos os sons do universo, entrando assim em contato com a essência, com a energia de todos eles, chegando assim à unidade, que podemos chamar também de Deus. Cantar o OM é entrar em contato com Deus, não importa qual seja a sua crença. E, principalmente, entrar em contato com o divido dentro de si. Esse Deus pode ter muitos nomes. Para mim, entrar em contato com o divino dentro de mim é entrar em contato com o que há de mais puro, bonito, amoroso, compassivo... enfim, é entrar em contato com todas as minhas qualidades, conhecidas e desconhecidas.


Cantamos OM, mas dentro dessa silaba sai o som de três letras: A-U-M. Essas três letras representam a divina trindade indiana, Brahma, Vishnu e Shiva, o criador, o mantenedor e o destruidor (sempre lembrando que "destruir" é necessário para a transformação), respectivamente. Mais uma vez, tudo na India é altamente simbólico e os simbolos são lindos. Assim, independente de sua crença ou religião, sempre há algo dentro de você que está sendo criado, algo que você está mantendo e algo que está sendo transformado, constantemente. Cantar o OM, e entrar em contato com essas energias, e então chegamos novamente à nossa essência.


Agora, da próxima vez que você for cantar o OM na sua aula de yoga, escolha a interpretação que melhor coube às suas crenças e experimente cantar colocando em sua voz todo o seu significado. Com certeza sairá diferente!!!


Namaste!