30 de abr de 2010

Para refletir e fazer

" Existe apenas um praticante do mal no planeta: a inconsciência humana. Compreender isso é o caminho para o perdão. Quando perdoamos, nossa identidade de vítima se dissipa e nossa verdadeira força se manifesta - a força da presença. Portanto, em vez de culpar a escuridão, acenda a luz."

Eckhart Tolle

28 de abr de 2010

O SADHANA DO YOGUE

por Bia Cattoni


Sadhana em sânscrito significa realização. É o caminho que o yogue trilha rumo ao seu objetivo principal o YOGA (a união de corpo, mente e espírito); ou rumo ao samadhi o último estágio dos 8 passos do yoga descritos por Patanjali.
Vivemos em um mundo onde nossa atenção, nosso foco está sempre no futuro; no próximo compromisso, no dia seguinte, no mês seguinte, no ano seguinte e assim se passam os dias.
O caminho do yogue é o caminho do presente, da atenção total do que passa a sua volta no momento presente. É o caminho da vigilância de suas ações, de seus pensamentos, sentimentos e atitudes... o futuro é a conseqüência do que plantamos no presente, da consciência presente, do olhar atento ao seu caminho.

Existem vários tipos de sadhana, cada tipo de yoga estipula um sadhana diferente com o mesmo objetivo, o samadhi. O sadhana pode ser trilhado através de pujá, mantras, asanas, Kriyá, etc...O sadhana deve ser iniciado através dos ensinamentos de um guru, que oriente seu aluno(discípulo) com o conhecimento necessário para que ele atinja o seu objetivo.
Palavras do guru:
"As pessoas tem que encontrar a felicidade em medidas moderadas. Tem que encontrar a felicidade nas pequenas coisas. Não há nada grande na vida, mas se você continuar vivendo de um modo feliz com as pequenas coisas, a felicidade acumulada será imensa. E como se coletando gota por gota, você coletasse um oceano inteiro." Osho

21 de abr de 2010

Abra o coração!!!


As extensões de coluna, também conhecidas como retroflexões, ou backbends, são, muitas vezes, motivo de alegria ou desespero dos alunos.Muitos que fazem aula comigo quando percebem que vou dar extensões da aula já dissem: " ih... lá vem!!" .Eu dou risada porque já passei por isso e já pensei o mesmo! Em geral são posturas difíceis, que exigem força, flexibilidade, concentração e muita consciência corporal. Aceleram os batimentos cardíacos e a respiração, o que torna a permanência muito mais desafiadora. Mas são verdadeiros remédios para a alma!!


A explicação para isso é tão simples quanto a postura deveria ser, se não tivéssemos nos modificado tanto no decorrer de nossa vida. Você já viu alguma criança pequena de peito fechado? Ombros pra frente, coluna curvada? Pois é. As crianças são abertas para o mundo. Conforme vamos crescendo, esse mesmo mundo a que viemos tão abertos e disponíveis vai colocando na nossa frente tantos "nãos", dores, medos, tristezas, que depois de um tempo resolvemos que não queremos mais passar por isso. E então, vamos pouco a pouco fechando a portinha das nossas emoções, localizada ali no meio do peito, na região do osso esterno. Mas o problema é que isso não funciona. Porque o próprio ato de fechar o peito causa uma sensação ainda maior de solidão,e por isso nos fechamos ainda mais. Entramos numa bola de neve. Sabe aquela velha sensação de aperto, tão falada em músicas, poesias, etc? Sim, é literal. Fechamos a principal região do corpo onde são processadas nossas emoções. Onde elas entram e saem. E assim, nada entra e nada sai. Ficamos apertados, sem saber o que fazer com aquilo.


Quando praticamos as extensões, nos abrimos novamente para o mundo. Para que muita coisa guardada há tempos possa sair. Por isso já vi, mais de uma vez, pessoas sairem de uma retroflexão chorando desesperadamente. Mas já vi também, e já aconteceu diversas vezes comigo, essas posturas causarem uma sensação de alegria intensa. Uma vez, em uma aula, eu e alguns colegas ficamos tão felizes com a prática de backbends que parecíamos crianças na hora do recreio. Depois, fomos tomar um suco e estávamos tão abertos que começamos a contar coisas bem íntimas um do outro, como se tivessemos tomado a poção da verdade e fosse a hora de colocar tudo pra fora! Hoje, quando lembramos daquele dia, rimos bastante. Mas a verdade é que foi muito benéfico.


São várias as situações do cotidiano que me pedem extensões de coluna na minha prática pessoal: quando estou mais tristinha, elas me deixam mais pra cima. Quando estou cansada, ou com sono, elas me dão energia. São ótimas para o frio, pois além de aquecer o corpo nessa época tendemos a tensionar e fechar muito os ombros. Além de serem extremamente benéficas para a coluna (quando feitas com o alinhamento correto, por isso sempre um professor preparado é bem vindo), para o sistema respiratório, digestivo, entre outros. E não precisam ser sempre tão intensas: o uso de acessórios, por exemplo, pode intensificar bastante uma postura, mas pode também torná-la mais leve e restauradora.


Então, na próxima vez que você fizer retroflexões na sua aula de yoga, lembre-se de quão incríveis eles são, e entregue-se! De coração aberto!!


Namaste!

14 de abr de 2010

Minuto Yoga


Mais um blog de yoga para inspirar o nosso caminho!!
Esse é da minha ex-aluna, amiga e agora colega de profissão, Fabiana Acosta Antunes. Aqui está o primeiro texto do blog. Outros como esse, vocês vão encontrar em
http://www.minutoyoga.blogspot.com/
Bom proveito!!

Quando comecei a praticar yoga buscava, como muitas pessoas, manter meu corpo forte, flexível e saudável. Já na primeira aula percebi que alguma coisa a mais poderia acontecer. Esse "algo a mais" não era levitar, ficar deitada sobre pregos, ou qualquer desses equívocos que às vezes são propagados por aí e relacionados à prática da yoga. Tratava-se simplesmente de uma sensação de tranquilidade vinda (sim!) de um esforço físico, algo bem palpável, que se pode sentir após uma sessão de corrida ou musculação. Mas havia algo mais... como se até ali eu tivesse "me esquecido de respirar", de lembrar que eu respiro, e essa atenção voltada para a respiração - junto ao trabalho muscular - me fizeram ter um sensação diferente: era como se eu ficasse mais perto de mim desse jeito.
Lendo o livro Luz na Vida, de B.K.S. Iyengar, descobri bem mais tarde que na minha primeira aula de yoga estava exercitando a tal da união do meu corpo com a minha mente. Esse livro me apresentou também ao conceito de planos ou invólucros do ser (kosas), que os iogues definem como as camadas da nossa existência:
-Corpo físico (annamaya kosa)
-Corpo energético (pranamaya kosa)
-Corpo mental (manomaya kosa)
-Corpo intelectual (vijnanamaya kosa)
-Corpo espiritual (anandamaya kosa)
Ou seja, essa é uma forma didática de a yoga nos explicar que somos algo além de nossa pele, ossos, músculos e órgãos internos. Esta é nossa parte externa. Praticando as posturas (asanas) de yoga conseguimos entender e disciplinar nossa camada externa e, consequentemente, entrar em contato com as nossas outras camadas. Talvez isso soe abstrato demais... Mas experimente se lembrar disso durante a prática das posturas. Vale a pena!

Fabiana Acosta Antunes

12 de abr de 2010

Pranayamas



Por Bia Cattoni


Prana = Energia; "O alento de Deus"; energia que permeia todo o universo; energia física, mental, intelectual, sexual, espiritual e cósmica. Todas as energias físicas (calor, luz, gravidade, magnetismo, eletricidade)
Respiração é apenas uma de suas manifestações. "Quando morremos o nosso alento individual se dissolve no alento cósmico" (BKS Iyengar – Luz na Vida)
Ayama = distenção, extensão, expansão, regulação, contenção e controle
Pranayama = Prolongamento e restrição da respiração; extensão e expansão da energia vital


A prática de asanas (posturas) ajuda o praticante (sadhaka) a adquirir aptidão para a prática do pranayama.
Por meio do asana, os circuitos do corpo ganham força e estabilidade para resistir ao aumento da corrente provocada pela prática do pranayama.


"Se você de repente triplicasse a força da corrente elétrica que circula por sua casa, nem por isso a chaleira ferveria três vezes mais rápido que o habitual e as luzes triplicariam de intensidade. Você sabe que isso queimaria imediatamente todos os circuitos e não restaria nada. Por que seria diferente com o nosso corpo! Por essa razão Patanjali claramente dizia que é preciso haver uma transição entre a prática de asanas e a de pranayama. Por meio dos asanas, os circuitos do corpo ganham força e estabilidade para resistir ao aumento da corrente provocada pela prática do pranayama" (BKS Iyengar – Luz na Vida)


A principal importância da técnica do pranayama é a relação entre prana e mente.
Prana é o elo que liga a matéria e a energia por um lado e a consciência e a mente por outro. A consciência não pode afetar a matéria a não ser através do prana. A manipulação das correntes pranicas é utilizada para controle de citta-vrttis ("flutuações mentais"). Pranayama é a preparação da mente para dhãranã (6ºpasso do yoga – concentração) , dhyãna (7ºpasso do yoga – meditação) e samãdhi (8º passo do yoga – iluminação)*.


O verdadeiro pranayama ocorre quando se executa kumbhaka. Um domínio completo da inspiração (puraka) e da expiração(rechaka) é essencial antes de se fazer qualquer tentativa de aprender antara kumbhaka (retenção após a inspiração). Bahya kumbhaka (retenção após a expiração) não deve ser tentada até que antara kumbhaka se torne natural.


O segundo fator é o lugar onde o pranayama é praticado. Deve ser praticado em lugar limpo e arejado, livre de insetos. Deve ser praticado com regularidade na mesma hora e local e na mesma postura. A variação só é permissível quanto ao tipo de pranayama.


O terceiro fator é o tempo. Como o ruído gera inquietação, pratique nas horas calmas. O melhor horário para a prática é de manhã (de preferência antes do nascer do sol). De acordo como o Hatha-yoga Pradipika, o pranayama deve ser praticado quatro vezes por dia. Isso dificilmente seria possível, com a vida agitada de hoje. Recomenda-se sua prática pelo menos quinze minutos por dia.


Curiosidade:
A taxa respiratória normal é de 15 inspirações e expirações por minuto. Esta taxa aumenta, quando o corpo é perturbado por indigestão, febre, resfriado, tosse, ou emoções como medo, raiva ou desejo sexual. A taxa normal de respiração é de 21.600 inspirações e expirações a cada 24 horas. O iogue mede sua vida não pelo número de dias, mas de respirações. Como a capacidade respiratória é ampliada pela prática de pranayama, ele alcança uma maior longevidade. (BKS Iyengar – Luz do Yoga)