17 de set de 2008

As posturas invertidas e o medo





Eu bem sei o que é ter medo das invertidas. Sempre fui uma pessoa que tem medo (de posturas mais desafiadoras e de outras coisas tambem), mas não deixa de fazer. Por conta disso nunca deixei de fazer as invertidas, mas demorei anos, por exemplo, para sair da parede no sirshasana (invertida sobre a cabeça, a primeira foto). Quando saí da parede, ficava 10 segundos e já descia. Aí comecei a praticar Iyengar, e me pediam para ficar minutos na postura. O que fiz? Voltei para a parede!! Até que resolvi praticar e praticar em casa para poder ter mais segurança nas aulas, e deu super certo. Hoje em dia eu consigo já ficar um bom tempo na postura, e com conforto. Adoro o sirshasana!!É uma das posturas que mais me faz sentir bem, me sinto revigorada, relaxada e energizada ao mesmo tempo!! Não é a toa que ela é chamada de "rei dos ásanas".

Aí, então, depois que o medo do sirshasana foi embora, encontrei outro desafio: a parada de mão (adho mukha vrkshasana, terceira foto). Sempre tive uma imensa dificuldade para entrar na parada de mão. Me sentia ridícula pulando, pulando sem conseguir levar os pés para a parede. Aquilo para mim me parecia impossível! Apesar de nunca ter deixado de tentar, sabia que era o medo que me impedia de realmente levar os pés para cima. Mesma coisa: resolvi praticar e praticar e de repente, tudo me pareceu mais simples. Quando consegui entrar na postura, meu novo desafio foi permanecer mais tempo nela. Ainda estou nele. Já consigo ficar um tempinho, mas sei que posso conseguir muito mais. Mas ainda não saí da parede. E fazer o adhomukha vrkshasana fora da parede me parece ainda um desafio grande.

São muitas as sensações geradas durante uma postura invertida. Além do medo óbvio de cair, a idéia de "ver o mundo por outro ângulo", para alguns, pode parecer bem assustador. A maioria das vezes isso não é consciente, mas é muito, muito frequente.

Mas exatamente por ter esse histórico, e entender muito bem esse medo, procuro incentivar muito os meus alunos a não tê-lo. Não quero que eles, como eu, demorem anos para sair da parede no sirshasana. E procuro sempre encorajá-los, além de dar o máximo de ações e explicações possivel sobre o ásana para que o aluno se sinta mais seguro. É um asana extremamente benéfico, e realmente a sensação quando alguem consegue executá-lo bem é das melhores já sentidas!!

Sempre é bom lembrar das contra indicações: Não praticar no periodo menstrual, nem pessoas que sofrem de problemas de pressão nos olhos(glaucoma, por exemplo), pressão nos ouvidos e pressão alta. Problemas na coluna também são delicados. O resto, disfrutem!!


Por isso, minha dica é: pratiquem, pratiquem e pratiquem!!! Com determinação e disciplina, e claro, com os devidos cuidados, a recompensas serão as melhores!

Namaste!


11 de set de 2008

Sobre alimentação

É um tema sempre polêmico, por conta do vegetarianismo. Eu sou vegetariana, mas nunca fiz panfletagem para ninguem deixar de comer carne, apesar de não entender como alguém pode colocar um negocio daquele na boca.

Pelo pouco que já li sobre o tema, vejo que não há um concenso dentro do yoga sobre isso.E também não há regras restritas, pois afinal de contas o Yoga é um caminho pessoal, não uma cartilha a ser seguida com "podes e não podes". Gosto do que Iyengar fala sobre o tema: ele diz que se vc pratica yoga somente por uma busca física, não precisa deixar de comer carne. Agora, se prática por uma busca espiritual, não comer carne é importante, pois assim trabalhamos a não violencia (ahimsa) não só com os animais, mas tb com nós mesmos, pois a carne é uma alimento extremamente pesado. Além disso, praticamos a não violencia tb com a natureza, que já foi absurdamente prejudicada pela criação de gado. Mas não quero dizer aqui que quem come carne ne não tem uma busca espiritual (pelo amorrrr de Deus!!). Apenas é uma forma de ver o tema que para mim faz muito sentido.

Conciderando a questão da não- violencia, e da pureza buscada pelo yoga, Iyengar fala que não devemos nem comer demais, nem de menos, mas o necessario para o nosso corpo. Através da prática de yoga criamos uma sensibilidade maior e conseguimos "ouvir melhor" o nosso corpo. Assim, devemos comer o que o corpo está pedindo, e não o que tem uma cara bonita, ou o que a nossa mente acredita que é necessário. Dessa forma, agindo de acordo com o nosso corpo, acredito que transformamos sim a nossa alimentação,diminuindo também outras substancias tóxicas como industrializados, açúcares, gorduras... mas de forma natural, sem nenhuma mudança brusca que só nos fará passar vontade e, de certa forma, agirmos violentamente com nós mesmos. Eu parei de comer carne naturalmente. Já faz 11 anos que não como carne vermelha, e 6 que não como carne nenhuma. Nunca me fez falta. Mas nunca passei vontade. Simplesmente aconteceu, fui parando de comer porque não me sentia bem, porque pra mim isso deixou de ser comida. Já com o açucar, sinto que tenho que ter uma disciplina maior, pois ainda tenho uma certa compulsão por doces. Como sei que doces demais não fazem bem para o meu corpo, tento controlar um pouco mais, mas porque nesse caso sei que a maioria das vezes não é o meu corpo que está pedindo, mas sim a minha mente. Então, com um certo esforço, digo não pra ela. Nem sempre consigo.

Enfim, o importante é estarmos sempre seguindo o nosso caminho, com consciencia mas sem grandes violencias contra nós mesmos, porque isso é a pior coisa que alguem pode fazer. Se a pessoa está interessada em parar de comer carne, mas ainda sente vontade, o que posso aconselhar é a ir parando aos poucos e se informar muito bem sobre os substitutos. Se parar radicalmente e ficar sonhando com um prato de picanha, vai sofrer com isso. Não sei se vale a pena.É como querer tanto fazer um asana dificil na primeira aula, que depois de uma lesão grave, a pessoa nunca mais quer ouvir falar em yoga. Vale a pena?

Namaste!