29 de out de 2008

Ahimsa


Há muito tempo sugeri uma pesquisa sobre não violência nesse blog. Uma amiga me mandou um texto lindo, acabei fazendo minhas as palavras dela e esqueci o tópico. Acho que já deu pra perceber que não sou de escrever muito, não gosto de escrever por escrever, a idéia precisa vir e eu preciso gostar do texto, sabe? Enfim, depois de meses a idéia veio. Tá aqui:


Já falei um pouco nesse blog sobre Patanjali. Patanjali foi uma pessoa (como com todos esses autores antigos, isso nunca é uma certeza) que escreveu um texto importantíssimo para a história do yoga e, principalmente, para que o yoga exista como ele existe até hoje. O nome do texto é "Yoga Sutras" e acredita-se que foi escrito entre 300 e 500 a.C. Até hoje é um dos textos mais estudados, por isso digo que provavelmente, se não fosse pelos Yoga Sutras, o yoga não seria praticado hoje dessa forma.


Nesse texto, Patanjali fala sobre os oito passos do yoga (astanga yoga). Muita gente acredita hoje, principalmente por conta da "moda" do yoga no ocidente, que yoga são somente asanas, ou talvez asanas e pranayamas. Mas esses são apenas o terceiro e quarto passos do yoga, segundo Patanjali. Antes de chegar aos asanas, existem os yamas e os nyamas, que dizem respeito a como agir não só dentro da prática de asanas, mas em todos os momentos do dia, tanto em respeito ao outro quanto à você mesmo. O primeiro yama, ou seja, o primeiro passo entre todos, é AHIMSA, que significa NÃO- VIOLÊNCIA.


Não violência, nesse caso, é um pouco mais amplo que "não a guerra" ou "não matar". Estamos falando de não violência em todos os sentidos, em todos os momentos da vida. A Laís escreveu um texto com toda essa amplitude por isso o publiquei. Quem tiver interesse em lê-lo, está aqui:


http://algosobreyoga.blogspot.com/2008/03/faz-muito-tempo-que-no-escrevo-tenho.html


Comer algo que você sabe que não te faz bem é uma forma de violência contra seu corpo. Se estressar demais, se preocupando com tudo o que aparece na sua frente também. Cultivar pensamentos negativos, não cuidar de si mesmo, brigar no trânsito, se atrasar sem necessidade, não dormir bem, neglicenciar aos que estão a sua volta, enfim, são muitos os exemplos.


Vou me focar agora em um aspecto específico, que é ahimsa durante a prática de asanas. Como podemos nos violentar durante a prática de asanas?


A primeira resposta que me vem à cabeça é a mais obvia: Se praticamos sem a atenção necessária, podemos nos machucar seriamente. Por isso a concentração é tão importante durante a prática. Executar um asana falando ou pensando em outros temas, sem a atenção total no seu corpo e no momento presente pode levar a serias lesões. Ir muito além do limite do seu corpo também é violentar a si mesmo. Mas, do mesmo jeito, quem não se esforça para ampliar seus limites, ficando sempre na postura cômoda, não evolui, não vai a lugar nenhum. E isso é uma forte forma de violência consigo.


Iyengar dá um bom exemplo de ahimsa em "A árvore do yoga". Ele diz que se executamos melhor um asana para o lado esquerdo, por exemplo, e por isso ficamos muito mais tempo desse lado que do outro, desequilibramos todo o nosso corpo tanto físico como energético, e assim, nos violentamos.


E todos esses exemplos podem ser levados aos dia a dia. Mas isso, vou deixar para a reflexão de cada um.


Namaste!

5 de out de 2008

escolha o que vc quer ver

Tenho ido bastante ao cinema, o que me deixa feliz pois sempre fui muito cinéfila, e nos últimos tempos esse lado andava meio apagadinho... Hoje fui ver "Ensaio sobre a cegueira", gostei muito. Já tinha gostado muito do livro quando o li, anos atrás, e o filme, na minha opinião, não decepcionou em nada. Aliás, os três últimos filmes que fui ver eram brasileiros, e estamos em uma época muito boa para isso. Aproveitem para prestigiar o cinema brasileiro!!!!

Ok, chega de propaganda! É que as vezes o meu lado atriz ainda escapa e tenho que fazer um discursinho a favor da nossa arte! eheheh! Mas a verdade é que o fato de estar indo bastante ao cinema me fez ter vontade de escrever sobre isso. E me lembrei de uma frase do livro " luz na vida", de BKS Iyengar, onde ele diz que você deve escolher o que quer ver na televisão, no cinema, etc, pois são essas as escolhas que você tras para a sua vida. Explico: se escolhemos ver somente filmes violentos, trazemos essa energia de violência conosco. Não significa que vamos viver o que foi vivido no filme (e por favor, isso não é nenhum protesto contra esses filmes, acho que tudo é válido desde que seja feito com boas intenções), mas aquela tensão, aquele medo, aquela raiva que sentimos durante o filme são realmente sentidas por nós, não é ficção. E não são energias boas. Se nos acostumamos a ver sempre filmes que nos trazem essas sensações, nos acostumamos com elas, e elas passam a fazer parte de nós, também no dia a dia, mesmo que de forma mais sutil.

Já faz um tempo que decidi não ver mais filmes de guerra, por melhores que eles sejam. Não me fazem bem. Filmes muito violentos também não. Mesmo que o filme ganhe todos os oscars, ursos de ouro e o que mais seja, e que esteja com vinte estrelinhas em todos os jornais. Não me fazem bem, não quero, muito obrigada. Devem ser beneficos para outras pessoas, não para mim. Não significa que só vejo filmes água com açúcar. E, repito, não quero dizer que devemos ser alienados ao que acontece no mundo, mas não devemos alimentar essas energias. O que vi hoje por exemplo de água com açúcar não tem nada. Mas é algo pessoal, sei o que faz e o não faz bem pra mim. No caso de ensaio sobre a cegueira na minha opinião é um filme que fala muito mais de força, de dedicação e de sentimentos humanos do que de como o mundo é cruel, como já ouvi algumas pessoas falando. Então, pra mim, é uma história que me deixa muito mais com vontade de viver do que qualquer outra coisa. Mas como já falei, é pessoal.

A arte tem inúmeras funções. Mas a mais forte delas é a de tocar o seu público de alguma forma. Pra mim, só quero os filmes que me toquem de forma positiva, que me façam querer viver e fazer algo pelo mundo. Filmes que me deixam deprimida eu dispenso.

Para acabarmos com a violência no mundo, precisamos tirá-la primeiro da nossa mente. E escolher o que vemos pode ser um bom começo.

Namaste!