25 de mai de 2009

A importância de olhar com novos olhos


Ontem fui ao Masp (Museu de arte de São Paulo), ver a exposição do artista brasileiro Vik Muniz, reconhecido em várias partes do mundo. A exposição é linda e o trabalho dele é incrível. Recomendo. Mas o que me fez resolver escrever sobre ele aqui no blog foi a capacidade de transformar tudo em arte, em poesia. Ele faz arte com lixo, papel, arame, chocolate, macarrão... A capacidade de ver significado em algo que para a maioria é somente um simples objeto funcional, uma comida, etc, me tocou muito. E na minha opinião é bem yogue. Porque estamos todo o tempo em contato com milhões de coisas que passam rapidamente pelos nossos olhos sem serem notadas, sem serem valorizadas. E o yoga nos ensina a perceber o presente, a perceber o detalhe, a trabalhar no micro para chegar ao macro. Quando estamos presentes, somos capazes de olhar para coisas que geralmente são ignoradas no nosso dia-dia e essa é uma experiência transformadora. Temos que aprender a olhar as coisas com novos olhos.


Mais info:


Namaste!

19 de mai de 2009

Você já sorriu hoje?



Dando uma folheada em uma Prana Yoga antiga, encontrei essa frase:


"Não sorrir é como se esquecer de molhar as plantas"

Philippe Lechermeier



Namaste!

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Pazes com a perfeição

Sempre tive uma relação bem típica com a perfeição. Desde que me lembro, sempre fiz questão de fazer tudo perfeito. Não há nenhum virgem forte no meu mapa astral (imagina se houvesse!), mas tudo que eu fiz sempre teve que ser impecável. E isso faz a gente sofrer, porque sabemos que ninguem é perfeito. Mas, na prática, o buraco é sempre mais embaixo.

Aí entramos novamente em um tema que já foi falado aqui, sobre a importância da opinião alheia. Porque afinal de contas, queremos ser perfeitos pra quem? Pra nós mesmos? Pode ser... Mas o que faz a gente acreditar que o que fizemos foi perfeito? A nossa intuição? A nossa sensação? Ou o que dizem os outros? Pois é...Só acreditamos que realmente o que fazemos é bom, quando ouvimos isso de outra pessoa. É a boa e velha necessidade de reconhecimento. É o ego sendo alimentado. Só para isso queremos ser perfeitos.

Nesse fim de semana passei por uma experiência interessante sobre esse tema. Neste semestre, no curso de formação que faço, tivemos que escolher um tema dentro de uma lista e preparar uma palestra de 5 minutos sobre ele. Depois da palestra, vários temas são avaliados, como presença, dicção, conteúdo, domínio do tempo,etc. Domingo passado foi a minha vez de apresentar, e na hora do feed back (feito pelos professores e pelos colegas), fui extremamente elogiada. Segundo muitos deles, estava tudo perfeito. Claro que fiquei muito feliz ouvindo tudo aquilo, meu ego estava contentíssimo. E o melhor é que eu nem tinha me esforçado muito pra isso. Na hora de falar sobre o que poderia ser melhorado, ninguem falou nada. Alguns segundos ou minutos de silêncio, que para mim pareceram uma eternidade. Olhava nos olhos de cada um dos meus companheiros de aula, pedindo que dissessem algo, e o silêncio permanecia. Comecei a procurar os olhares com quem tinha um pouco mais de intimidade, e nada. Fui então aos mais críticos, como meu professor, e ainda assim continuou o silêncio, no máximo vinha alguma hora um outro elogio, mas a sensação de "ego contente" foi se desvanescendo e comecei a me sentir totalmente desamparada. Eu precisava da crítica. Eu precisava ter algo para melhorar. Todo mundo tem, ninguém é perfeito! De repente, uma aluna resolveu falar. Ufa! Foi ótimo ouvi-la. E falou exatamente o que eu deveria buscar por já ter uma facilidade de falar em público. Foi ótimo, e estimulou meu professor a falar mais. Pronto. Já não estava mais desamparada. Eu realmente não era perfeita. Que sensação deliciosa!

Cheguei em casa refletindo muito sobre isso, e pensando como somos todos tolos, nós perfeccionistas. Porque quando alguém diz que o que fizemos é perfeito, isso pode até nos enaltecer por uns minutos, mas a verdade é que sabemos que não é real. Que estamos nesse mundo para aprender através dos nossos erros, e então se não tivermos nada para melhorar, a vida deixa de fazer sentido. Estamos em constante aprendizado, em constante transformação, em constantes erros e acertos. Essa é a graça da vida, e no final da história, a unica coisa que vale a pena é vivermos cada minuto como uma experiência nova.

Namaste!

5 de mai de 2009

o mantra OM


Todos os dias, em muitas aulas de yoga, cantamos três vezes o mantra OM. O hatha yoga está tão difundido no ocidente, são tantas e tantas as pessoas que o praticam, que muitas vezes acabam fazendo as coisas por fazer, porque os outros o fazem, sem consciência. O OM é um bom exemplo disso. O mantra OM é o mantra mais importante dentro da filosofia indiana, e também o mais conhecido dentro e fora da Índia. Vou tentar colocar aqui uma explicação bem simples, para que mesmo uma pessoa mais leiga possa compreender e praticar o seu significado.


São muitas as interpretações sobre o mantra OM, que, na minha opinião, levam a uma mesma essência. Muitas vezes ouvimos dizer que o OM é o som universal. Gosto de ilustrar essa ideia da seguinte maneira: assim como o branco é o princípio ou a mistura de todas as cores, o Om é o princípio ou a mistura de todos os sons. Assim, cantando o Mantra, entramos em contato com todos os sons do universo, entrando assim em contato com a essência, com a energia de todos eles, chegando assim à unidade, que podemos chamar também de Deus. Cantar o OM é entrar em contato com Deus, não importa qual seja a sua crença. E, principalmente, entrar em contato com o divido dentro de si. Esse Deus pode ter muitos nomes. Para mim, entrar em contato com o divino dentro de mim é entrar em contato com o que há de mais puro, bonito, amoroso, compassivo... enfim, é entrar em contato com todas as minhas qualidades, conhecidas e desconhecidas.


Cantamos OM, mas dentro dessa silaba sai o som de três letras: A-U-M. Essas três letras representam a divina trindade indiana, Brahma, Vishnu e Shiva, o criador, o mantenedor e o destruidor (sempre lembrando que "destruir" é necessário para a transformação), respectivamente. Mais uma vez, tudo na India é altamente simbólico e os simbolos são lindos. Assim, independente de sua crença ou religião, sempre há algo dentro de você que está sendo criado, algo que você está mantendo e algo que está sendo transformado, constantemente. Cantar o OM, e entrar em contato com essas energias, e então chegamos novamente à nossa essência.


Agora, da próxima vez que você for cantar o OM na sua aula de yoga, escolha a interpretação que melhor coube às suas crenças e experimente cantar colocando em sua voz todo o seu significado. Com certeza sairá diferente!!!


Namaste!