23 de ago de 2010

Não importa o motivo para não praticar, pratique!


Muitas pessoas dizem não entender como posso ter disciplina para praticar asanas todos os dias. Minha resposta é quase sempre a mesma: no inicio, é necessário, sim, ter bastante determinação. Mas com o tempo, a prática se torna parte de você, algo que faz parte da sua higiene diária, como tomar banho ou escovar os dentes. E então, quando não conseguimos praticar, o corpo pede. A mente pede. E não conseguimos ficar sem. Nos últimos meses tenho vivido uma porção de coisas que tem tomado bastante meu tempo, inclusive para escrever aqui no blog. Coisas que tem mexido bastante também com o lado emocional e feito a minha mente ficar bastante agitada. Nesse tempo, acabei deixando de praticar algumas vezes. E é incrível o impacto que isso tem! Depois de dois ou três dias sem praticar, no meio desse turbilhão de coisas que aconteciam dentro e fora de mim, o corpo estava cansado e as minhocas da minha cabeça estavam tão felizes com o espaço que elas tinham que já estavam dando uma grande festa! Quando eu finalmente ia pra minha sala, fechava a porta e dedicava o tempo que fosse para algumas posturas, era nítido como tudo ficava diferente. A prática de asanas me fazia voltar a mim, a ver as coisas com mais clareza e realidade, o corpo ganhava energia, a resistência aumentava e eu simplesmente parecia outra pessoa. Cheguei então à conclusão que pra uma pessoa como eu, que há alguns anos mantém uma prática diária, essa falta foi necessária para eu perceber o quanto isso era importante.


A verdade é que não existe motivo para não praticar. Se a questão é o tempo, 10 minutos fazem grande diferença se forem 10 minutos exclusivamente dedicados a isso, e não atrasam ninguém. Se a questão é alguma limitação física, o professor sempre será um aliado pra sugerir posturas que ajudem e não atrapalhem. Mas não praticar nunca é a melhor escolha! Ás vezes o cansaço é tão grande que parece que o seu corpo não conseguirá se levantar. Mas se ainda assim você praticar um pouco de tapas e insistir em algumas posturas, invertidas restauradoras, por exemplo, o cansaço diminuirá consideravelmente, talvez até o suficiente para dar vontade de ficar praticando mais um pouquinho.


Então aí chegamos numa palavrinha importante: TAPAS. Tapas é o terceiro Nyama, segundo o astanga yoga de Patanjali. Significa disciplina, austeridade, auto-esforço. E é completamente necessário para que possamos evoluir no yoga, desde os asanas e pranayamas até a hora de levar essa prática para fora do tapetinho, colocando a filosofia como parte do dia. Tudo isso é muito difícil e exige perseverança. Mas atenção: não devemos confundir disciplina com rigidez. Muito pelo contrário, acredito que rigidez e yoga são coisas incompatíveis. Disciplina é necessária e para isso basta entendermos que se passarmos por cima dos tantos obstáculos internos e externos que nos impedem de praticar, as recompensas serão muitas, e por isso não fazê-lo não faz sentido. Rigidez é praticar porque o professor mandou, porque disseram que faz bem então eu me sacrifico pra isso. Isso não é yoga. Talvez caiba num treinamento de exército ou algo assim. Mas os efeitos do yoga, você tem que estar aberto para sentir no seu corpo, na sua vida, e não na sua mente. Essa é a diferença. Quando você sente os efeitos no seu corpo, eles fazem parte de você. Você passa a ser isso. E por isso não consegue mais ficar sem. Pode ser que no início seja mais difícil chegar a esse estagio. Mas é a mesma coisa que nos esforçarmos para passar por cima de um grande mal estar sabendo que depois dos asanas estaremos nos sentindo melhor. Pode ser que sejam necessários alguns meses. Mas uma coisa é certa. Quanto mais praticamos, mais rápido chegamos lá. Por isso precisamos de tapas.


Boa prática para todos nós!


Namastê!